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Aquecimento global cala sapos, rãs e pererecas e coloca espécies da Caatinga em risco, aponta estudo feito na Paraíba

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Machos de espécies como sapos, rãs e pererecas têm um jeito peculiar de atrair as fêmeas: eles “cantam”, isto é, emitem uma vocalização (ou coaxar), que é fundamental para sua reprodução. Porém, na caatinga, a intensificação da crise climática, com aumento das temperaturas e redução da umidade, ameaça a reprodução desses anfíbios sem cauda, conhecidos como anuros, fazendo com que cantem abaixo do seu potencial acústico e que a propagação de seu canto seja prejudicada.

Essa foi uma das descobertas da tese de doutorado “Integrando ecofisiologia e mudanças climáticas na identificação de variação acústica e predição de risco de extinção de anuros no bioma Caatinga”, defendida pelo biólogo Arielson dos Santos Protázio no Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Zoologia) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). 

Para investigar o efeito das mudanças climáticas nos anuros, Arielson visitou diferentes corpos d’água em treze municípios inseridos na Caatinga, de três estados do Nordeste, obtendo dados da temperatura dos machos cantores e do microambiente do local de canto, além de gravar o canto dos machos para analisar sua estrutura.

“Como resultados, encontramos que os machos dos sapos, rãs e pererecas não têm seu canto afetado pelas características do microclima do local de canto. Contudo, muitas espécies termorregulam durante o cantar, ou seja, elas ficam mais restritas a ambientes mais frios e úmidos, o que as faz cantar abaixo do seu potencial acústico”, expõe.  

Outro achado foi que as mudanças climáticas afetam a propagação do canto de anúncio da grande maioria das espécies, fazendo com que o canto perca energia de propagação à medida que a temperatura aumenta e a umidade diminui. Para Arielson, as descobertas do estudo têm o potencial de serem utilizadas em iniciativas de conservação envolvendo políticas públicas. “Identificamos áreas na Caatinga onde há maior potencial de risco de extinção, bem como áreas com potencial para conservação no futuro”, comenta. 

O biólogo conta que escolheu os anuros como objeto de estudo por eles possuírem uma intensa sensibilidade a alterações no ambiente, sendo, por isso, considerados bioindicadores. “Os anuros são os vertebrados mais sensíveis aos efeitos das mudanças climáticas e do aquecimento global porque possuem diversas características que os tornam mais vulneráveis. Primeiro, possuem uma pele extremamente fina, devido à respiração cutânea. Ou seja, perdem líquido com muita facilidade. Segundo, necessitam de água para a reprodução, já que a grande maioria das espécies põe seus ovos na água”, explica. 

Arielson destaca então que a ameaça sofrida pelos anuros aponta para um problema maior: “se realmente estamos preocupados com nós mesmos e com as pessoas que amamos, precisamos ter a sensibilidade de perceber que, quando um ambiente está insuportável para a sobrevivência de um sapo, é um sinal de que, no futuro, ele também estará insuportável para a sobrevivência de nós mesmos”, alerta. 

Segundo o pesquisador, esse é um dos primeiros estudos que buscaram entender como as mudanças climáticas afetam os sapos, rãs e pererecas da Caatinga, e, seguramente, o primeiro a verificar esse efeito na ecofisiologia e no canto de muitas espécies. “Isso abre as portas para outros estudos, que podem abordar outros aspectos — biológicos ou não — e que utilizarão nosso trabalho como referência. Assim, inicia-se um campo de estudo mais amplo”, argumenta.

O biólogo ressalta também a importância da UFPB na realização de sua pesquisa, seja por meio de seu orientador ou do corpo docente da universidade. “Me foi proporcionado um ambiente motivador e colaborativo, que foi propício à construção das ideias que deram origem à pesquisa”, afirma.

Segundo Arielson, a tese, que teve orientação do professor Daniel Oliveira Mesquita, ainda não foi publicada, mas estará disponível no repositório da UFPB em breve. 

PB Agora

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