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Análise: Brasil, Bolsonaro, Lula e a guerra do ódio que abate o país

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Imagine, leitor, que a Guerra do Peloponeso foi a Guerra Mundial da Antiga Grécia. Quase todas as cidades-Estado gregas se envolveram ou foram envolvidas no conflito, algumas se aliaram a Atenas, enquanto outras a Esparta.

A Guerra do Peloponeso durou 27 anos. Teve seu início no ano 431 a.C e terminou somente em 404 a.C., quando Atenas rendeu-se a Esparta.

Embora utilizassem a mesma língua, cultura e religião, os antigos gregos eram divididos politicamente. Frequentemente, uma cidade grega estava em guerra contra outra e as grandes potências, Atenas e Esparta, disputavam a hegemonia sobre a região.

Uma das consequências mais drásticas da Guerra do Peloponeso foi o extremo empobrecimento da população grega: os pobres ficaram ainda mais pobres e foram os que mais sofreram.

Para um efetivo “link” sobre o hoje, o ontem e o amanhã, recorro ao pensador e filósofo chamado Heródoto. Ele desenvolveu uma teoria histórica de relevante importância, que ficou conhecida como “teoria da história cíclica”.

Na prática, os fatos se repetem ao longo da trajetória humana nas mais diversificadas ares sociais, estando, nessa conjuntura, por exemplo, as ciências, religião e política. Também existe a perspectiva linear, mas dela trato depois.

Sigo, solicitando a devida licença do leitor, a observação da história cíclica, pondo o Brasil nessa teoria. Hoje vivemos uma convulsão social no país. Falamos a mesma língua, não há conflitos acentuados entre grupos religiosos e, embora, vivamos em uma nação com dimensões continentais, o caldeirão cultural é miscigenado, apontando elementos de unidade nessa bela miscelânea.

Mas a convulsão social brasileira existe, como a formadora da Guerra do Peloponeso, guardando, claro, as especificidades de cada uma. O que falo, de forma explícita, é um país dividido, e não há como esconder isso, havendo a polarização entre esquerda e direita, estando à frente dos embates, como os generais espartanos e atenienses, o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e suas legiões petistas, lulistas e regimentos de outras agremiações políticas que cerram fileiras com a “causa”.

No outro front reside o presidente Jair Bolsonaro, seus aliados liberais e os que têm o pensamento anti-PT. Por, último, mergulhado nesse caos de vaidade, traições, prisões justas e injustas, grampos telefônicos e a discordância gritante entre os Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, está o povo, negligenciado pelos atores de uma “guerra” que fere a estabilidade do país nos mais vários aspectos, penalizando, como na Antiga Grécia, os mais pobres.

Não há adversários e, sim, inimigos pessoais na política atual brasileira

Não se faz necessário um microscópio atômico ou lupa para enxergar que, comandado de forma irresponsável pelos “generais” do poder, o que se vê no Brasil, na macropolítica, é uma “transferência” do conceito adversário para inimigo.

Nitidamente há uma ala no Supremo Tribunal Federal, outra no Congresso, que busca acentuar o fosso da discórdia, consolidando seus pontos de vista “apaixonados”, muito em decorrência do fisiologismo. Os “paladinos” defendem ou são contrários a A ou B conforme o “Baile Perfumado” lhes beneficia em detrimento do bem comum.

A imparcialidade foi para o ralo há muito, se é que no Brasil República ela já existiu em algum efêmero momento. Chegamos a um ponto que um agente público, falo do ministro da Justiça, Sérgio Moro, ser comparado por uma bela fatia da sociedade como o Super-Homem. No pólo antagônico, milhões de brasileiros o consideram pessoa arrogante, antiética e até messiânica. Uma espécie de Antônio Conselheiro fundido ao arquirrival do Batman, qual seja; o “risonho” Coringa.

E o que dizer sobre ódio, isso mesmo, ódio recíproco entre Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula? Para a minha pessoa, trata-se de movimentações e linhas de raciocínio egocêntricas, difusas e irresponsáveis. Não condizem com a postura política civilizada e a democracia. O que vemos são princípios constitucionais sendo “atropelados” por medidas provisórias absolutistas e uma turba exigindo a queda da “Bastilha”.

Observo, sem medo de errar, que, após o fim do regime militar, o país nunca esteve mergulhado em tamanha convulsão política e social. E tal crise de intolerância não está contida, apenas, no terreno minado do Palácio do Planalto, nas belas togas dos ministros do Supremo ou nas articulações escabrosas promovidas no Senado e Câmara Federal.

Ela atinge a malha social como todo. As relações familiares são afetadas, amizades desfeitas, discursos racistas e reacionários dos envolvidos, como massa de manobra, se propagam nas redes sociais. Fake news com poder atômico de implodir o Cruzeiro do Sul, gestos de “arminha” de um lado, e a defesa de um novo impeachment do outro, põem o Brasil de joelhos.

Não senhores e senhoras. O Brasil não aguenta ser mais fustigado. Ódio, desrespeito às leis advindas de bolsonaristas e lulistas radicais, eu disse radicais, fogem qualquer lógica e preceito do conviver com o contraditório de forma harmônica. E ainda temos os abutres do chamado “centrão”. Esses só esperam a carnificina para um banquete regado a ilicitudes.

Realmente, não enxergo gestos diplomáticos ou torniquetes que possam estancar a sangria da nossa agonizante democracia. Vejo, no fundo do baú, reservas de nitroglicerina e cicuta, nada mais. O que é lamentável.

PARLATÓRIO

Enquanto isso, na sala de “justiça”, os militares apenas ouvem e observam. Mas a insatisfação na caserna é nítida, afinal, respiramos o limiar da loucura. Uma hecatombe que pode, em gesto de história cíclica, levar o Brasil para a Idade das Trevas, caça às bruxas ou uma guerra civil. O Peloponeso é aqui. Alguém tem duvidas?

Eliabe Castor
PB agora

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