Comércio fechado na rua 25 de Março durante a quarentena.

É fato! Sei poucas coisas de muitas, e muitas de poucas. E isso é próprio do ser humano. A vastidão das informações “geradas” ao longo da história da humanidade em termos comparativos com as galáxias, que bailam no universo, é muito próxima. Não se pode mensurar o seu tamanho. Os átomos passeiam em tudo que está ao nosso redor, e assim é a grande história formatada pelo ser humano.

Ela nunca descansa. Está em constante processo de ruptura e aglutinação. Todos os dias novos fatos surgem independente da nossa vontade. Do nosso desejo de “dominar” uma bela fera chamada vida. E nessa introdução admito: sou péssimo em tudo que contem números, equações, cálculos diversos.

Mas existe um grande aliado para tentar entender Pitágoras. Algo chamado leitura. Sem ela nada sou. Ninguém é, pois ela nos revigora e nos faz aprender, diariamente, pequenas informações. Finíssimos dados semelhantes aos minúsculos grãos de areia de uma ampulheta medieval.

E na junção dessas informações diárias, como um Lego que vai encaixando suas peças para formar algo, entendo que a pandemia causada pelo novo coronavírus é cruel e devastadora em vários aspectos, principalmente no retirar da vida e colocar de joelhos a economia mundial.

Após tal constatação, estaria eu sendo leviano se não me preocupasse com esses dois principais aspectos. O ser humano, animal social, é parecido como uma colmeia de abelhas. Cada uma tem sua função para beneficiar a rainha que, por sua vez, faz fecundar mais indivíduos para o próprio sustento da espécie.

E valendo-se de metáforas, enxergo que a colmeia tem algumas opções nesse momento. Morrer de inanição ou um fungo mortífero que ataca as “fazedoras’ de mel e, no outro lado da moeda, buscar o néctar em terreno movediço para alimentar sua própria existência. Assim estamos nós: muitos defendem a flexibilização do isolamento social, a volta gradual do comércio e outros setores, a fim da economia começar a dar sinais de vida e o povo não morrer de fome nem o país, estados e municípios entrarem em colapso econômico.

Outros preferem esperar mais um pouco, temendo uma volta violenta da Covid-19. O que seria (e já está sendo) amedrontador e desastroso. Basta informar que vários estados estão sendo obrigados a recuar em suas medidas de flexibilização da quarentena.

Motivo? A abertura precipitada de cidades de todo país que desencadeou um crescimento exponencial do número de óbitos e de doentes da Covid-19. Ainda há outro detalhe: o novo coronavírus vem se “instalando” de forma perversa nos interiores, justamente aquelas cidades que os prefeitos, com sua autonomia garantida por lei, imaginam que a fase crítica do contágio já se foi. O que é um engano e praticamente um crime contra a vida humana.

E nesse discurso invertido e equivocado dos paladinos da abertura vou citar dois casos na Paraíba. Campina Grande e Cabedelo. O prefeito Romero Rodrigues e Vítor Hugo, gestores dos respectivos municípios, contestam os números informados pela Secretaria de Saúde do Estado sobre a pandemia e, na próxima segunda-feira (29) iniciarão a flexibilização gradual de muitos setores. Um absurdo!

Eu entendo a postura dos gestores, mas o preço dessa decisão pode ser multo alto. É sempre bom lembrar, como parâmetro, países da Europa, a exemplo da Alemanha, que viu uma ampla disseminação do vírus após a flexibilização. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já não descarta a possibilidade de uma endemia.

Ou seja: a endemia não está relacionada a uma questão quantitativa. Uma doença é classificada como endêmica (típica) de uma região quando acontece com muita frequência no local. No caso, todo o mundo, e só uma vacina pode proteger alguém diante do problema. É o caso do sarampo, por exemplo. Há antídoto contra ele. Para a Covid-19 ainda não.

Por fim, fica registrado casos mal sucedidos (ainda não vi um exitoso) para flexibilizar o isolamento social enquanto os próprios grandes estudiosos ainda supõem, eu disse supõem, como a doença se desenvolve e seus efeitos no organismo de cada infectado.

O fracasso da flexibilização nas três capitais do Sul do país

As três capitais de estados do Sul – Florianópolis, Porto Alegre e Curitiba foram apontadas como bons exemplos de como lidar com a Covid-19.

O número de casos e de mortes pela doença, de fato, sempre foi menos do que na maioria das demais capitais e grandes cidades brasileiras.

Mesmo sem precisar tomar medidas drásticas de isolamento social, com exceção de Florianópolis, que proibiu, ainda em março, o transporte público, os bons resultados levaram à abertura das atividades econômicas, mesmo com restrições.

A realidade, entretanto, está demonstrando que isso não é suficiente. Com o crescimento do número de infectados e mortos pela Covid-19, Porto Alegre (implantou novo modelo de restrições), Curitiba (casos triplicaram em um mês) e Florianópolis (fechou novamente shoppings e academias). Voltaram atrás e endureceram novamente as regras restritivas.

Não posso torcer contra, mas Romero Rodrigues e Vitor Hugo estão buscando mecanismos ineficazes, havendo grande probabilidade de recuar nas suas ações em relação à flexibilização. Não há falta de exemplos mal sucedidos. Busco só um que tenha dado certo mas, infelizmente, ainda não achei. Estamos na pandemia, e como diz o inquilino do Palácio do Planalto, ponto final, ok?

Eliabe Castor
PB Agora

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