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Aeroportos para Copa de 2014 estão no limite

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Oito das 12 cidades que sediarão os jogos beiram o colapso operacional.
Segundo Ipea, há possibilidade de apagão logístico no setor aéreo.
 

NATAL (RN) 7 8
 

PAMPULHA (MG) 5 8
 

CONFINS (MG) 16 19
 

SANTOS DUMONT (RJ) 15 18
 

CURITIBA (PR) 14 18
 

 

PORTO ALEGRE (RS) 14 20
 

MANAUS (AM) 9 17
 

BRASÍLIA (DF) 36 45
 

CONGONHAS (SP) 24 34
 

GUARULHOS (SP) 53 65

 

Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nesta segunda-feira (31), revela que pelo menos oito das 12 cidades que irão sediar os jogos da Copa de 2014 estão com seus aeroportos operando no limite da capacidade máxima e, em alguns casos, “beirando o colapso operacional” devido à demanda não atendida. Segundo o Ipea, há risco de um apagão logístico no setor aéreo caso não haja investimentos.Para ilustrar o cenário, o levantamento do Ipea traz uma tabela com a capacidade de cada aeroporto atender a pedidos de pouso e decolagem nos horários de pico. O caso mais grave está no aeroporto de Manaus (AM), que tem capacidade de atender a nove pedidos de pouso ou decolagem nos horários de pico, mas recebe 17 pedidos de pouso e decolagem, praticamente o dobro do limite.

“Situações preocupantes são aquelas em que o nível de utilização das instalações suplanta 80% de sua capacidade. Os casos críticos, quando o nível de utilização das instalações supera a capacidade instalada ocorre em deterioração do nível de serviço. Nesses casos, dependendo do percentual alcançado está-se beirando o colapso operacional”, diz o estudo do Ipea.

Situações preocupantes são aquelas em que o nível de utilização das instalações suplanta 80% de sua capacidade. Os casos críticos, quando o nível de utilização das instalações supera a capacidade instalada ocorre em deterioração do nível de serviço. Nesses casos, dependendo do percentual alcançado está-se beirando o colapso operacional”Trecho do estudo do IpeaO Aeroporto de Congonhas e de Guarulhos, ambos em São Paulo, onde uma das semi-finais do mundial deve ocorrer, também operam com níveis bastante superiores ao limite máximo. Congonhas tem capacidade de atender a 24 operações de pouso ou decolagem simultâneas, mas registra demanda de 34 operações. Guarulhos tem limite de 53 operações e funciona com fluxo de 65 pedidos.

O estudo do Ipea não apresentou a situação dos aeroportos em Cuiabá (MT), Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Recife (PE), que também irão abrigar os jogos da Copa. Mas, segundo o Ipea, a situação também é preocupante nesses aeroportos. De acordo com o instituto, o terminal de cargas de Manaus ficou absolutamente congestionado com a importação de insumos e peças para montagem de televisores e as empresas tiveram que readequar a produção.

A grande preocupação, segundo o Ipea, é justamente o nível de ampliação da demanda que eventos como a Copa das Confederações, em 2013, a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos (2016) irão provocar no país. Apenas em São Paulo, o movimento nos aeroportos será amplificado em 600 mil visitantes, segundo o estudo. “Não se pode deixar de considerar que um acréscimo estimado, para São Paulo, de 600 mil visitantes em dois meses causará grandes transtornos em Guarulhos e Congonhas, se não forem removidos a tempo os gargalos que afetam estes aeroportos”, afirma o estudo.

O estudo indica uma série de ações imediatas que podem resolver o problema e prega a injeção de recursos no setor em médio prazo para viabilizar os eventos esportivos e evitar que o setor aéreo venha a prejudicar e até impedir o crescimento econômico do país. Um dos pontos abordados pelo Ipea é a abertura de capital da Infraero, a empresa pública que controla os aeroportos, ou a concessão dos aeroportos mais lucrativos à iniciativa privada. A ampliação de terminais e construção de novos aeroportos por meio de parcerias público-privadas também é levantada.

Problemas

A evolução do transporte aéreo no país encontrou obstáculos que justificam as deficiências atuais. Na avaliação do Ipea, problemas de “ordem institucional, legal, infraestrutural e operacional” fizeram com que as melhorias no setor não acompanhassem o crescimento acelerado da demanda.

Os governos deveriam ter adotado medidas que vão desde o “adequado planejamento de longo prazo para o sistema de aviação civil” ao estabelecimento de “políticas consistentes” com “marco legal e regulador mais condizente com o novo ambiente competitivo”. “Além do mais, não se tem uma definição clara de estratégias para a aviação brasileira nos próximos 30 anos e, sobretudo, não se têm políticas e regras de regulação econômica que balizem a evolução dos mercados internacional, doméstico e regional”, critica o estudo.

Medidas

Para superar as dificuldades no setor, o Ipea argumenta que o governo vai ter que “conter a dispersão de recursos por uma grande diversidade de aeroportos, sem critérios claros de prioridades decorrentes das necessidades da demanda” e ainda distribuir os investimentos de acordo com o que a demanda e a segurança “exigem em termos de terminais, pátios, pistas e sistemas de aproximação e proteção ao voo”.

Desta forma, segundo o Ipea, será possível estimular o crescimento do transporte aéreo e a sua popularização, que devem ser vistos como positivos para o país. “Olhando para o futuro, independente do tipo de cenário projetado, os investimentos nas infraestruturas aeronáutica e aeroportuária deverão ser incrementados de forma significativa a médio e longo prazo.”
 

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