O que antes era um oásis agora se transformou em pequenas ilhas. A drástica redução de água do açude Epitácio Pessoa em Boqueirão mostrou um cenário que poucos moradores da região conheciam. Ilhas submersas e imensos lajedos começam a aparecer.
O açude responsável pelo abastecimento de Campina Grande e mais 18 municípios do Compartimento da Borborema, agoniza e hoje está com pouco mais de 9% de sua capacidade. Com capacidade para armazenar 411.686.287 milhões de metros cúblicos, Boqueirão está apenas com 38.867.745
mm de água acumulada, o que representa o preocupante 9,4%, segundo a última medição da Agência Executiva de Gestão das Águas (AESA).
No manancial já é possível identificar mais de 15 ilhas e morros, que antes eram cobertos pela água do açude. Quando cheio apenas quatro ilhas aparecem.
A distância entre o ponto onde ainda existe água e o principal sangrador do açude é de aproximadamente 17 metros.
No ponto de captação de água o nível está muito baixo e a qualquer momento poderá deixar de funcionar. A partir de aí a captação será feita pelo sistema de captação de água.
O açude Epitácio Pessoa, atingiu, , a sua pior marca na história no dia 20 de outubro do ano passado com 60.541.155 m³ de água, o que representa 14,7% de sua capacidade total. Antes disto, a pior marca registrada havia sido no dia 28 de dezembro de 1999, com 14,9% do total. De outubro até o momento, o manancial continuou perdendo água e chega no final de maio praticamente na temível reversa técnica, também conhecida como “volume morto”.
Para o especialista em recursos hídricos Isnaldo Cândido, o problema é agravado por falta de planejamento. “Dentro do quadro que se apresentava com os regimes de chuvas, que foram poucos, isso era esperado. São coisas que para a gente preocupa, por falta de todo um planejamento, diante de uma demanda que cresce a cada dia”, explicou.
O sistema de captação flutuante instalado pela Cagepa já começou a funcionar em fase de testes e a qualquer momento poderá entrar em operação de forma definitiva. A previsão era de que as bombas começassem a operar em janeiro, mas as condições do açude favoreceram a continuação de captação com o sistema convencional.
O açude de Boqueirão foi construído pelo DNOCS há mais de 50 anos, e hoje garante o abastecimento de mais de 1 milhão de paraibanos e hoje atravessa a pior crise de sua história.
Severino Lopes
PBAgora
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