A tragédia no presídio do Róger traz a público, mais uma vez, uma verdade: a de que o sistema penitenciário brasileiro vive no mais completo fingimento. O poder público finge que controla os presos, os presos fingem que estão satisfeitos e a população finge que está livre deles.
Nada disso é real.
Assim como comandam de dentro dos presídios o crime nas ruas, os presos se vêem no direito de comandar o próprio sistema penitenciário. Querem determinar o horário e dia das visitas, a variedade da comida servida e até a sistemática de transferência de condenados. Papéis que, por lei, deveriam ser de responsabilidade apenas do Governo e da Justiça.
Agem como se fosse crianças malcriadas, chamando a atenção dos pais. Ensaiam greve de fome, queimam colchões e usam de violência contra outros presos. Como o Róger não é creche nem abriga criacinhas inocentes, os resultados são os mais trágicos possíveis.
Quem entende do assunto aponta que faltaram duas coisas nesse caso específico: monitoramento do setor de inteligência para checar previamente se havia insatisfações prontas para eclodirem com a notícia da transferência de condenados. E, por tabela, pressa na ação de contenção do incêndio.
Porque no presídio até o silêncio deve ser sinônimo de desconfiança. Quanto mais os primeiros sinais de fogo.
Ora, A Paraíba possui aproximadamente oito mil detentos. Mas, a rigor, dispõe pouco mais da metade do número de vagas para abrigá-los. Conta que transforma penitenciárias como o Róger em verdadeiras bombas-relógio, sobre as quais o secretário de administração penitenciária está sentado.
E sobre as quais se exige vigilância redobrada. É somente isso que a população espera: quer que o sistema penitenciário funcione como os serviços de limpeza urbana. Onde o lixo retirado da sociedade não vira mais notícia de jornal nem volta em forma de corpos carbonizados.
*Comentário veiculado no programa de estréia do Paraíba Urgente, da TV Arapuan
Questão de time
Foi com determinação que o ex-governador Cássio esteve recentemente num encontro reservado com o senador Cícero Lucena recentemente. Saiu, mais uma vez, sem decisão definitiva. Mas ciente de que terá que antecipar decisões para 2009. E já tem data para elas.
Ver Baleia
Está em gestação em Lucena um projeto que merecerá toda a atenção da mídia e da sociedade. Trata-se do projeto Ver Baleia, onde será possível, em viagens programadas, os turistas verem baleias em alto-mar, a algumas milhas das praias do litoral norte.
Show de bolão
Por falar em Lucena, o prefeito Bolão está em estado de graça. Com os salários dos servidores pagos em dia, a construção de mais de 200 casas e ainda projetos para alavancar o turismo local, a exemplo da inauguração do píer da Prainha, que recebe embarcações de Areia Vermelha, Bolão é um dos exemplos de prefeitos que driblaram a crise e as quedas das receitas.
Os negócios de Santiago
Não é segredo para os mais íntimos. O deputado federal Wilson Santiago (PMDB), um dos mais ricos políticos da Paraíba, investe numa provável candidatura ao Senado para, lá na frente, ser for necessário, “vende-la”. E por um preço alto. É, de fato, um grande negociador.







