50 anos da tragédia no Parque da Lagoa: ao PB Agora, tenente relembra naufrágio com 35 mortos

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Um passeio que nunca chegou ao fim. O período era de Ditadura Militar. O contexto político da época era difícil. O cenário era a “Lagoa” no coração de João Pessoa. Com os militares no poder, o Brasil atravessava um dos momentos mais duros do regime ditatorial. O que seria mais uma comemoração alusiva ao Dia do Soldado se transformou em uma das maiores tragédias da Paraíba.

O naufrágio da balsa que resultou na morte de 35 pessoas na Lagoa do Parque Solon de Lucena, em João Pessoa, completou agora em 2025 exatos 50 anos. Mesmo tendo se passado tantos anos, as lembranças do fatídico 24 de agosto de 1975 ainda estão vivas na memória dos familiares que perderam os seus entes queridos, e de quem viu de perto o drama de um dos episódios mais tristes, dolorosos e angustiantes da capital paraibana.

Naquele ano, o País estava sob o comando do presidente Ernesto Geisel, enquanto que a Paraíba era governada por Ernâni Sátiro, que havia sucedido a João Agripino Filho. Foi nesse contexto de celebração do Dia do Soldado, que o então Cabo José Barbosa, foi chamado para atuar no resgate das vítimas da tragédia.

50 anos após a tragédia da Lagoa, O PB Agora localizou um bombeiro que participou dos resgate das vítimas e acompanhou de perto as horas mais dramáticas do Parque Solon de Lucena. Na época, o então cabo José Barbosa da Silva, estava em Campina Grande, quando recebeu um telefonema o convocando para atuar no resgate. Ao todo, morreram 29 adolescentes e 6 adultos, incluindo um sargento do Exército.

Tenente reformado do bombeiro, José Barbosa conversou com exclusividade com O PB Agora esta semana, e deu detalhes de toda operação montada para tentar salvar vidas. As lembranças do terrível naufrágio estão vivas na memória do bombeiro.

Mergulhador experiente, ele foi o único bombeiro de Campina Grande a ser convocado para atuar no resgate das vítimas.

Ele recordou que na época, as pessoas se dirigiram ao Parque Solon de Lucena para acompanhar as festividades do Dia do Soldado. O Exército Brasileiro havia preparado uma exposição de armas, canhões, viaturas, carros de combate, armadilhas de caça e pesca e galeria de fotos pelo Grupamento de Engenharia. Mas a principal atração do evento eram os passeios nas águas da Lagoa a bordo de uma balsa.

“Como eu era nadador, me mandaram buscar para ir para João Pessoa. Saí daqui por volta do acidente foi de 11 horas e cheguei de João Pessoa às 12h40, direto para a Lagoa. Chegando na Lagoa trabalhei no domingo a segunda, na terça foi quando a gente se encerrou. 35 pessoas perderam a vida, 29 adolescentes e 6 adultos, inclusive um segundo sargento do grupamento de engenharia que tentou fazer salvamento. Eles colocaram uma balsa dentro da Lagoa para dar um passeio com a criançada e quem quisesse ir. Eles forneciam lanche, e aí começou. Deram a primeira, segunda e terceira volta, e quando na quarta volta essa balsa que ia com excesso de gente, afundou “, recordou.

José Barbosa relembra que o trabalho de socorro e resgate das vítimas foi dramático, visto que os bombeiros tiveram que usar redes para puxar os corpos do fundo da lagoa. A ordem do comando era para só encerrar a operação quando resgatasse a última vítima.

“A gente tirou esse povo não mergulhando, mas jogando as redes como se estivesse pescando” , recorda.

A última viagem da embarcação foi feita no final da tarde. Com capacidade para 60 pessoas, a barca autorizou a entrada de cerca de 200, e o resultado da superlotação, conforme descreveu José Barbosa, foi o naufrágio.


A balsa, adaptada para passeios pela lagoa, não suportou o peso e começou a afundar após avançar cerca de 50 metros. A embarcação, improvisada com duas longas tábuas e utilizada anteriormente para transporte de cargas, começou a afundar lentamente após uma movimentação brusca dos passageiros que estavam a bordo.

Muitos passageiros, em desespero, correram para a frente da embarcação, desequilibrando-a ainda mais. Uma onda causada por uma lancha que circulava a lagoa contribuiu para que a água entrasse na balsa, agravando a situação. Naquela noite, o passeio não chegou ao fim,

“Só não morreu mais gente porque sabia nadar. Quem não sabia nadar afundou. A Lagoa tinha seis metros com água e o resto é lama.

O acidente, que poderia ter sido evitado com medidas de segurança adequadas, é uma lembrança dolorosa da importância de se prevenir tais tragédias. Hoje, quase 50 anos anos depois, a Lagoa do Parque Solon de Lucena é um local de lazer para os moradores de João Pessoa, mas a memória do que aconteceu em 1975 permanece como um alerta para que nunca se repita.

Severino Lopes
PB Agora
Fotos: Severino Lopes e Tv Assembleia/Reprodução

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