O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, preparava neste sábado uma nova tentativa de retorno a Honduras, enquanto centenas de seus partidários desafiavam o toque de recolher imposto pelo governo de fato. Foram aguardá-lo na fronteira com a Nicarágua, segundo jornalistas da agência de notícias France Presse.
"Vocês não podem governar este país com baionetas, e eu também não poderei governar se não chegarmos a um acordo", declarou Zelaya à emissora de rádio hondurenha Rádio Globo, dirigindo-se ao governo que o expulsou do poder em 28 de junho.
Os autores do golpe de Estado "se mantêm no poder com fuzis e baionetas", e o governo de fato "está sob o controle do exército", denunciou. Depois da entrevista, Zelaya se dirigiu novamente para a fronteira, na aldeia nicaraguense de Ocotal.
O presidente interino, Roberto Micheletti, qualificou de "irresponsável" a atitude de Zelaya e avisou que "se voltar a Honduras, ele será, como manda a Constituição, detido pela polícia, e não pelos militares", por traição à pátria e corrupção.
Centenas de seguidores de Zelaya voltaram a se reunir do lado hondurenho da fronteira, ignorando o toque de recolher, agora de 30 horas, imposto a partir das 12h (15h em Brasília) de sexta-feira (24) às 18h (21h em Brasília) deste sábado, e os 3.000 militares e policiais mobilizados para contê-los.
Os partidários de Zelaya acusam a polícia de ter matado um manifestante, detido na véspera perto da fronteira com a Nicarágua e cujo corpo foi encontrado na beira de um caminho de terra, segundo a France Presse.
De acordo com a agência de notícias Efe, o manifestante, identificado como Pedro Ezequiel, tinha sinais de tortura nas mãos, ferimentos no rosto e lesões em várias partes do corpo, e foi encontrado no departamento de El Paraíso, que faz fronteira com a Nicarágua.
Um dos habitantes da localidade em que o corpo foi achado disse que Pedro Ezequiel foi detido por policiais e militares porque estava "fumando maconha", quando, no bairro fronteiriço de Las Manos, Zelaya tentava voltar ao país.
O porta-voz da polícia, Orlin Cerrato, disse à Efe que o único jovem detido ontem na região se chama Gerson Evenor Vilches Almendárez, que foi solto às 7h30 (10h30 em Brasília). Cerrato disse que a Polícia desconhece o caso de Pedro Ezequiel, que teria sido encontrado por volta das 6h30 (9h30 de Brasília).
Folha







