Por pbagora.com.br

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, garantiu estar disposto a responder na Justiça pelos crimes de corrupção e violação da Constituição atribuídos a ele, desde que seja restituído ao governo. A declaração de Zelaya vem após quase duas semanas de sua estada na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, em uma medida que ampliou a pressão da comunidade internacional por uma solução à crise mas trouxe poucos avanços por uma solução.

"Estou disposto a ir aos tribunais para responder aos processos que há contra mim, não tenho problema quanto a isso", disse Zelaya, em uma entrevista concedida ao jornal "El Observador", do Uruguai. "Por isso voltei, porque sou inocente".

"A solução desta crise passa por minha restituição, pelo respeito à democracia", reiterou Zelaya, repetindo seu argumento desde que foi tirado do poder, em um golpe de 28 de junho passado.

Zelaya, contudo, negou ter violado a Constituição hondurenha ao promover uma consulta que teria como objetivo permitir sua eventual reeleição, como alegam opositores.

O presidente deposto, contudo, rejeitou as denúncias do governo interino de que tenha violado a COnstituição com sua insistência em realizar uma uma pesquisa de opinião nacional que abriria caminho para seu projeto de convocar uma Assembleia Constituinte. O Congresso e a Corte Suprema dizem que a medida visava a aprovar a reeleição, atualmente proibida no país.

"Eu não violei a Constituição, jamais fiz isso. Não se tratou de um referendo, isso é uma mentira que os opositores utilizam para me desacreditar. Tratava-se de uma consulta, não vinculante, que não reformava nenhuma lei nem estabelecia a reeleição", argumentou.

No dia em que Zelaya foi destituído, em Honduras haveria um processo de consulta para perguntar ao eleitorado sobre a realização de um outro referendo. Esta segunda votação, se aprovada, ocorreria no dia 29 de novembro, data para a qual já haviam sido marcadas as eleições presidenciais, e proporia a formação de uma Assembleia Constituinte.

EUA

Indagado sobre o papel que os Estados Unidos têm desempenhado na crise vivida por seu país, Zelaya considerou que as medidas "não foram suficientes para o restabelecimento da democracia". Apesar disso, definiu como "clara" a condenação de Washington ao golpe de Estado.

O presidente deposto também defendeu os protestos realizados em favor de sua restituição, que têm sido reprimidos pela polícia. Desde o fim de semana, vigora em Honduras o estado de sítio, que proíbe qualquer reunião pública.

"Temos o direito de nos expressarmos pacificamente ante as violações das liberdades, e agora contra o fechamento dos meios de comunicação. Estão restringindo as liberdades. Não podemos deixar que nos intimidem", disse Zelaya.

Nessa segunda-feira, já com base no decreto que suspendeu as garantias civis e impôs o estado de sítio, o governo interino de Honduras fechou duas emissoras que apoiam Zelaya: a Rádio Globo e o canal de TV Cholusat Sur, conhecido como Canal 36.
 

 

Folha