O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, disse na quinta-feira que o único acordo humanitário aceitável com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para pôr fim ao drama dos reféns é a libertação unilateral dos sequestrados, descartando assim uma negociação imediata que resultasse também na libertação de rebeldes presos.

– O único acordo humanitário que se aceita é que libertem unilateralmente e de imediato todos os seqüestrados, que cessem os atos de violência e que façam a paz – disse Uribe a jornalistas.

As Farc libertaram recentemente três policiais, um soldado e dois políticos, num gesto de boa vontade para tentar estabelecer uma negociação com o governo a respeito da troca humanitária de prisioneiros.

O grupo marxista mantém 22 militares como reféns para esse fim, alguns deles há mais de 11 anos em cativeiros na selva, e espera libertar cerca de 500 guerrilheiros presos. Há também centenas de pessoas sequestradas pela guerrilha para fins econômicos.

Para negociar, as Farc há anos exigem que o governo desmilitarize uma área de 780 km quadrados no sudoeste do país, algo que Uribe diz que não fará, devido ao risco de que os rebeldes usem essa oportunidade para tirar proveito de uma zona estratégica para o tráfico de drogas e armas.

O governo Uribe mantém elevada popularidade em parte graças à linha-dura adotada contra a guerrilha, com ajuda militar dos EUA. Analistas dizem que as recentes libertações unilaterais de reféns são uma iniciativa das Farc para tentar recuperar sua imagem, desgastada com a recente morte de vários dirigentes, a deserção de milhares de combatentes e a libertação em uma ação do governo da ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt.

A senadora oposicionista Piedad Córdoba, líder da missão que recebeu os seis reféns soltos neste mês, disse que continuará tentando promover mais libertações unilaterais e um acordo entre as partes.

 

REUTERS

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