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Taleban reivindica assassinato do irmão do presidente afegão

O grupo islâmico Taleban reivindicou nesta terça-feira o assassinato de Ahmed Wali Karzai, irmão mais novo do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e homem forte do sul do país.

Ahmed era uma figura polêmica, acusada de envolvimento com o tráfico de ópio. Ele foi assassinado a tiros dentro de sua casa em Kandahar.

Segundo fontes afegãs, o atirador é Sardar Ahmad, guarda-costas e "amigo íntimo" de Ahmed. Ele entrou na residência de Ahmed para uma pretensa visita e, quando estavam sozinhos em um cômodo, sacou a pistola e o matou. Os seguranças do irmão do presidente entraram em seguida no local e mataram Sardar.

Um porta-voz taleban, Yusuf Ahmadi, disse à agência de notícias France Presse que o grupo encomendou recentemente a morte de Ahmed.

"É um de nossos maiores êxitos desde que começou a ofensiva [da primavera]. Recentemente havíamos encomendado a Sardar Mohamad que o matasse", declarou Ahmadi.

"Da mesma forma que seu irmão, [Ahmed] estava envolvido em atividades anti-afegãs. Além disso, tinha contato direto com os invasores estrangeiros", disse Ahmadi à agência de notícias Efe.

Ahmadi disse ainda que o ataque contou com "um plano meticuloso e genial produzido durante muito tempo".

Ele já havia sido alvo de outros atentados. Em maio de 2009, Ahmed anunciou que havia escapado ileso de uma emboscada contra seu comboio na província de Cabul.

Ahmed Wali Karzai era o chefe do Conselho provincial de Kandahar e considerado o homem mais poderoso do sul afegão, embora sobre ele pesassem acusações de corrupção e de envolvimento no tráfico de ópio. Ele sempre negou as acusações e afirmava que não existiam provas.

"Se alguém tiver provas ou documentos contra mim, que os apresente e eu estarei disposto a comparecer a um tribunal", declarou, depois de ter sido acusado pelo jornal americano "New York Times".

As acusações foram reiteradas por telegramas diplomáticos confidenciais redigidos na Embaixada Americana de Cabul e divulgados pelo site WikiLeaks.

A província de Kandahar, na fronteira com o Paquistão, é uma área de controle histórico dos talebans e uma das regiões mais instáveis do Afeganistão. A morte de Ahmed representa um grave revés para o regime, já que constituía um forte apoio para o irmão nesta região onde as forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) combatem os guerrilheiros talebans.

O assassinato aconteceu pouco antes do presidente afegão receber o colega francês, Nicolas Sarkozy, que faz uma visita não anunciada ao Afeganistão e durante a qual anunciou que a França retirará mil de seus 4.000 militares do país até o fim de 2012.

Folha Online

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