A pernambucana Paula Oliveira, 26, passou oficialmente ontem de vítima a suspeita. O Ministério Público de Zurique abriu um processo penal contra ela por falsa denúncia, depois que exames mostraram que Paula não estava grávida no momento da suposta agressão sofrida na semana passada, como ela tinha declarado às autoridades. Com a decisão, Paula não poderá deixar o país até o fim das investigações.

 

Também ontem, uma revista semanal Zurique afirmou que Paula já teria confessado à polícia que forjou a gravidez e que ela própria produziu em seu corpo os cortes que atribuiu a três neonazistas. De acordo com a publicação, que é próxima da direita nacionalista, o motivo seria receber "uma gorda indenização" do Estado.

O passaporte da brasileira foi apreendido ontem. Segundo o procurador Marcel Frei, responsável pelo caso, Paula foi enquadrada no artigo 304 do código penal suíço -"tentativa de enganar autoridades".

 

"Pela lei da Suíça, esse delito prevê pena de três anos de prisão ou pagamento de multa", disse Frei à Folha, reiterando que a apreensão do passaporte não se deveu às notícias de que ela pretendia voltar ao Brasil. "Trata-se de um procedimento normal nessas situações."

 

Frei informou ainda que Paula e o namorado dela, o economista suíço Marco Trepp, voltarão a ser interrogados nos próximos dias. Os dois já haviam prestado depoimento logo após a suposta agressão.

 

Pela versão de Paula, três neonazistas a atacaram na segunda, dia 9, no subúrbio de Dübendorf, perto de Zurique. Ela, que dizia estar grávida de gêmeas, afirmou que abortou após as agressões. Em seu corpo, contou Paula, os neonazistas fizeram vários cortes com um estilete e inscreveram as siglas do partido ultranacionalista SVP (Partido do Povo Suíço).

 

Mas, após o exame de um legista independente, a polícia de Zurique descartou na última sexta-feira que Paula estivesse grávida no momento da suposta agressão. O laudo apontou ainda indícios de que os cortes foram produto de automutilação, considerando remota a possibilidade de que ela tenha sido agredida.

 

Ato premeditado

Ontem, a revista "Die Weltwoche" foi além, afirmando que foi um ato premeditado destinado a obter uma indenização. De acordo com a publicação, Paula assinou uma confissão à polícia na sexta-feira 13, duas horas antes da divulgação do laudo do legista.

 

A revista afirma que, após várias versões desencontradas, a pernambucana confessou, chorando muito, que toda a história havia sido inventada.

 

"Em nenhum momento em sua vida houve skinheads, muito menos gêmeos", disse a revista, segundo a qual Paula afirmou ter agido sozinha.

 

A suposta confissão de Paula abriu o noticiário principal do canal local TeleZurich. Segundo a emissora, Paula esperava receber entre US$ 50 mil e US$ 100 mil de indenização.

 

Paula recebeu alta anteontem e seguiu para seu apartamento. Ninguém da família se pronunciou ontem. Anteontem, o pai da brasileira, Paulo Oliveira, disse que as conclusões da polícia suíça deixaram Paula "indignada".

 

Governo brasileiro

O Itamaraty informou ontem que Paula continuará contando com a assistência do governo brasileiro independentemente de ter sido protagonista ou não de uma farsa.

 

O chanceler Celso Amorim, após reunião no começo da tarde com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), não manifestou surpresa com a decisão do Ministério Público da Suíça: "Nós manifestamos nosso desejo que houvesse uma apuração, (…), eles garantiram que haveria apuração e é isso que está ocorrendo".

 

Amorim diz que o governo brasileiro continuará dando apoio a Paula, que conta com um defensor público suíço. Ela recusou as opções de advogado que o consulado ofereceu.

 

Folha Online

 

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