Por pbagora.com.br

O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou nesta segunda-feira, 5, que pedirá ao Conselho de Ministros que suspenda um polêmico decreto que restringiu as liberdades civis no país, enquanto aceleram-se os esforços diplomáticos para terminar com uma crise política que já dura 100 dias. Ele ainda admitiu pela primeira vez a possibilidade da restituição de Zelaya.
 

 

O estado de sítio, instaurado por 45 dias, foi determinado após o retorno do presidente constitucional do país, Manuel Zelaya, deposto no último dia 28 de junho. Desde que voltou a Honduras, no dia 21 de setembro, ele está instalado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, que está cercada por policiais e militares. O líder de facto utilizou esse texto para fechas dois veículos de comunicação de oposição e para impedir protestos de partidários do presidente deposto.

 

"É minha decisão rescindir o decreto, mas nós tomaremos a decisão com o conselho de ministros hoje", afirmou em entrevista a uma emissora de televisão hondurenha. A reunião para revisar o decreto começa às 12h (hora de Brasília). Ele disse que tomou a "decisão de anular" totalmente a medida para que o país restaure a tranquilidade e por conta de reação da comunidade internacional.

 

A decisão de Micheletti foi anunciada nas vésperas do início do diálogo entre representantes de Zelaya e do governo de facto, que desenvolverá uma agenda baseada no plano do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que atuou como mediador para a restituição do líder deposto.

 

Cem dias após o golpe que derrubou o presidente eleito, diferentes setores sociais querem o fim do impasse político no país. Pela primeira vez desde que chegou ao poder, Micheletti falou sobre a possibilidade de Zelaya voltar ao cargo, mas apenas após as eleições previstas para o dia 29 de novembro. Vários países, porém, já disseram que não reconhecerão o resultado, caso Zelaya não esteja no posto. A crise também resultou em prejuízos de milhões de dólares, para esta já pobre nação da América Central.

 

Na quarta-feira, dez ministros de Relações Exteriores de países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) devem chegar a Honduras, a fim de estimular o diálogo e ajudar a restaurar a democracia no país. Segundo a BBC, o líder deposto já admite regressar à Presidência com menos poderes e até à responder na Justiça pelos supostos delitos dos quais o governo interino o acusa.

Estadão