Paula Oliveira, que afirmou à polícia suíça ter sido agredida na segunda-feira (9) por um trio de neonazistas em Dübendorf, cidade próxima de Zurique, teria comunicado a colegas de trabalho sua suposta gravidez de gêmeos com uma imagem de ultrassom que pode ser encontrada no Google. A informação foi dada a ÉPOCA por uma brasileira que conhece Paula há mais de três anos e que trabalhou com ela na empresa dinamarquesa Maersk.

 

Segundo a ex-colega, que se identificou a ÉPOCA mas pediu que seu nome não fosse divulgado, o e-mail foi enviado por Paula no dia 16 de janeiro para mais de 30 pessoas da Maersk. ÉPOCA teve acesso a uma cópia dessa mensagem (confira a reprodução ao final do texto). O e-mail, em inglês, dizia o seguinte: "Bom, eu queria ligar para todos vocês, mas, pelas razões a seguir, vocês vão ver que eu devo economizar cada centavo a partir de agora, então não será possível. Enfim, é bem difícil achar uma forma melhor de dar a notícia. Então aí vai, a imagem fala por si própria, vocês não acham? Para os que não têm meu celular (o número foi borrado por ÉPOCA por questões de privacidade), eu acho que não estarei aí esta tarde, então vocês podem me ligar ou escrever mais tarde ou no fim de semana para esclarecimentos posteriores. E, sim, estou tão feliz quanto poderia estar! Beijos, Paula Oliveira"

 

“Quando ela deu a notícia da gravidez, mandou anexada ao e-mail a imagem de um ultrassom. E nós achamos a mesma foto no Google Images [o buscador de imagens do Google]”, disse a ex-colega. Ela explica que a imagem veio com o nome “Twins 6 wks” ("Gêmeos 6 semanas") e que, fazendo uma busca com esses mesmos termos no Google, era possível encontrar a mesma imagem, no site about.com.

 

 

A colega explica que o que teria motivado a “investigação” no site de buscas era o histórico de Paula, “que tinha deixado uma impressão de que inventava algumas coisas para chamar a atenção”. Segundo ela, o que agravou a desconfiança dos companheiros de trabalho foi outra história contada por Paula – a suposta morte do marido no acidente com o voo 3054 da TAM, que saiu da pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, matando 199 pessoas em 17 de julho de 2007.

 

“Em 2007 eu e outras pessoas ficamos sabendo por meio de amigos em comum que Paula havia se casado, mas nem sabíamos que ela estava namorando. Era um francês, chamado François, que ela havia conhecido no Recife. Todos acharam esquisito, mas acreditaram”, disse a ex-colega. “Quando ocorreu o acidente da TAM, recebi alguns e-mails das pessoas lamentando a morte do marido dela, que estaria no avião. Mas na lista de mortos no acidente não tem nenhum François”, explica (ÉPOCA consultou a lista, onde de fato não figura ninguém com esse nome) . “Foi aí que todos passaram a desconfiar do que ela falava”.

 

A funcionária da Maersk conta que, quando ficou sabendo do suposto ataque em Dübendorf, por meio da mensagem de um amigo, achou que era uma brincadeira. “Quando surgiu a história da gravidez, algumas pessoas já tinham especulado que era mentira e questionado quando ela perderia a criança”, afirma.

 

Em um outro episódio, a colega conta que Paula teria feito sessões de quimioterapia por conta de um problema ligado ao lúpus, doença crônica que impossibilita o sistema imunológico de combater vírus e bactérias. “Ela usava um lenço na cabeça para trabalhar, mas eu ouvi de pessoas que frequentavam a casa dela que ela nunca perdeu um fio de cabelo”, afirma. “Mas não sei se isso é um exagero das pessoas ou se ela usava a doença para chamar a atenção”.

 

Apesar de desconfiar de Paula, sua colega reconhece não é capaz de afirmar que, como sugeriram autoridades suíças, a brasileira teria feito os ferimentos no próprio corpo. “Mas não me surpreenderia, porque ela é muito convincente e acredita nas coisas que diz”, conta. “Mas, neste caso, ela não seria só uma mentirosa compulsiva, e sim algo mais grave. E aí o pai dela teria razão: ela é uma vítima de qualquer jeito, seja do suposto ataque ou de um problema psicológico muito sério”.

globo.com

 

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