Os ministros de Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se reúnem na Polônia nesta quinta-feira, 19, para revisar a estratégia do conflito no Afeganistão e avaliar se os aliados participarão da decisão americana de reforçar as tropas para enfrentar a insurgência no país. O secretário da Defesa britânico, John Hutton, deve propor a criação de uma força de distribuição rápida da Otan para defender as tropas europeias em missões mais distantes, num esforço para persuadir os países-membros a participarem mais da missão internacional.
 

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, deve pressionar os 25 países membros da organização a aumentar o número de soldados no Afeganistão durante a reunião de dois dias que começa hoje na Cracóvia, Polônia. Gates também pedirá mais helicópteros e aviões de carga e tentará convencer seus aliados a levar unidades para áreas mais perigosas, como a região tribal na fronteira com o Paquistão, reduto do Taleban.

 

 

Na terça-feira, o presidente Barack Obama anunciou o envio de mais 17 mil soldados ao Afeganistão até o meio do ano para "estabilizar a situação que se deteriora". Os EUA esperam que a Otan se comprometa a aumentar seu contingente, atualmente em 56 mil homens. Outros 9 mil soldados estrangeiros, que não fazem parte da Otan, também atuam no território afegão. A proposta de Hutton, revelada em entrevista ao jornal Financial Times, é de estabelecer uma força permanente de 3 mil soldados, que serão posicionadas para ajudar a defender os soldados europeus que já estão em confrontos.

 

 

O reforço de ofensiva precisa ocorrer antes das eleições presidenciais e provinciais afegãs, marcadas para 20 de agosto. Itália e Alemanha adiantaram-se ao pedido dos EUA e anunciaram ontem um aumento de seus efetivos até o meio do ano. Berlim enviará um contingente extra de 600 soldados e Roma, 500. A Austrália, país que não faz parte da Otan, mas tem mil soldados no Afeganistão, também deu sinais de que poderá reforçar sua força.

 

 

O Afeganistão buscará assumir a liderança na guerra contra o Taleban e o controle da ajuda internacional durante as discussões deste mês em Washington sobre uma revisão da segurança regional, disse uma autoridade nesta quinta-feira. Os chanceleres de Paquistão e Afeganistão, países que enfrentam a insurgência, devem apresentar na semana que vem aos EUA sua contribuição para a revisão. "Duas questões importantes serão abordadas pela delegação afegã", disse Sultan Ahmad Baheen, porta-voz da chancelaria.

 

 

"Além da guerra ao terrorismo, um foco no desenvolvimento e nos projetos de reconstrução, ajudando-nos com a boa governança e a democracia", disse ele. "Que os afegãos tenham um papel de liderança na guerra, ao acelerar o fortalecimento do Exército Nacional Afegão e do seu processo de equipagem". Ele afirmou que durante muito tempo o presidente Hamid Karzai levou essas reivindicações ao governo de George W. Bush, e lamentou que os temas não tenham recebido muita atenção. "Como um nova página foi aberta com a América (após a posse de Obama) e tivemos a oportunidade como aliados de abordar nossos pontos, estamos repetindo-os porque acreditamos que seja essencial em trazer a segurança", disse Baheen.

 

 

A delegação afegã vai propor também que os EUA se empenhem mais em atacar bases e refúgios dos militantes na montanhosa fronteira com o Paquistão, acrescentou. Desde que as tropas dos EUA e seus aliados derrubaram o Taleban, em 2001, o governo de Karzai depende muito da ajuda financeira e das tropas estrangeiras para manter a economia e a segurança. Algumas entidades beneficentes dizem que centenas de milhões de dólares em ajuda externa foram desperdiçados.

 

 

As mortes de civis provocadas por forças estrangeiras na caça a militantes reduziram o apoio popular a Karzai e à presença militar ocidental no Afeganistão. Baheen disse que, se tiver mais controle sobre bilhões de dólares da ajuda internacional, o governo terá condições de reconquistar o apoio da população.
 

 

estadao.com.br

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