Kate Wisnlet, em sua primeira estatueta depois de seis indicações, por "O Leitor", se emocionou e chorou. Sean Penn, em sua segunda estatueta depois de cinco indicações, por "Milk – A Voz da Igualdade", fez um discurso político e chamou os que votaram nele ironicamente de "seus amantes de comunistas e de gays".

"Quem Quer Ser um Milionário" liderou as estatuetas, com oito ganhas de dez, entre elas diretor, para o britânico Danny Boyle, e a principal, melhor filme. Animação foi para "Wall – E". Documentário? O ótimo "Man on Wire".

À memória de Heath Ledger, morto em 2008 por overdose acidental, foi o Oscar póstumo de coadjuvante por seu trabalho em "Cavaleiro das Trevas" -recebido por seus pais e irmã, em momento tocante. Penélope Cruz ganhou atriz coadjuvante, por "Vicky Cristina Barcelona", de Woody Allen.

Com exceção de filme estrangeiro (o japonês "Despedidas"), tudo como o esperado.

Numa noite que seguiu o roteiro e premiou os favoritos, a surpresa ficou mesmo com a cerimônia. Recessão e mudança deram o tom do 81º Oscar, que prometia a segunda e acontecia sob a espada da primeira. Começou com o apresentador, Hugh Jackman, fazendo graça ao dizer que por falta de dinheiro os organizadores tinham pedido que ele cortasse seu número de abertura -mas que ele disse que faria mesmo assim, pagando de seu bolso.

Foi a deixa para que o ator "recriasse" os principais filmes indicados em cenários supostamente improvisados e baratos, num dos bons momentos. Puxou Anne Hathaway da plateia para ela "interpretar" Richard Nixon; sentou no colo de Frank Langella, que vive o o ex-presidente no grande "Frost/Nixon"; ajoelhou-se diante da atriz Kate Winslet.

No caminho, promoveu uma interação maior com as estrelas presentes, o que deu mais ritmo a um programa de mais de três horas. Mais adiante, por exemplo, alguns atores convidados participariam de colagem sobre musicais com Jackman. Outras mudanças seriam sentidas nas apresentações de algumas das principais categorias, que deixaram de ser apenas uma dupla de celebridades lendo piadas sem graça obviamente de um teleprompter.

Assim, nas categorias de atuação, vencedores de anos anteriores, como Robert DeNiro, Anthony Hopkins, Halle Berry, Shirley McLaine, Angelica Huston, Christopher Walken, Kevin Kline- anunciaram os indicados e vencedores.

No de roteiro original e roteiro adaptado, os comediantes Tina Fey e Steve Martin interpretaram um texto que era escrito num telão atrás deles à medida que falavam. "Já se disse que escrever é viver para sempre", brincou Fey. "O homem que disse isso está morto", emendou Martin -ambos cutucariam ainda a Cientologia, doutrina muito popular entre atores de Hollywood.

Nem todos os apresentadores passaram pelo tapete vermelho da entrada, outro recurso usado para surpreender a audiência. Foi o caso de Jennifer Aniston e Jack Black, que entregaram melhor animação -a atriz, aliás, seria responsável pelo momento tabloide da noite, quando a câmera cortou de sua fala para a reação do casal Brad Pitt, ex da atriz, e Angelina Jolie, sua atual mulher.

Outros recursos inéditos foram a presença em clipes de filmes não-indicados -comédias e longas de ação que foram sucessos comerciais mas são eternos desprezados pelo Oscar-, e a apresentação de um curta bem-humorado de Judd Apatow, de "O Virgem de 40 Anos", uma prática mais comum em premiações da MTV.

Até Will Smith, o ator que mais dinheiro leva ao bolso da indústria cinematográfica norte-americana mas que nunca levou um Oscar, foi convocado para dar mais ação na apresentação das chamadas categorias técnicas. E Eddie Murphy apresentou o Oscar humanitário de Jerry Lewis.

Fora do Kodak Theatre, em Hollywood, onde acontece a cerimônia, manifestantes se misturavam aos fãs. Atores segurando cartazes lutavam por melhores condições contratuais e um senhor portava cartaz contra "O Leitor", que dizia ser revisão favorável a colaboradores do nazismo.

No tapete vermelho, entre gritos de fãs para Pitt-Jolie e tiradas de Robert Downey Jr. ("Eu estou usando preto e ela, vermelho", respondeu, à indefectível pergunta de uma jornalista sobre a grife de sua roupa), Meryl Streep e o elenco-mirim de "Milionário" protagonizaram um encontro de gerações. As crianças pediram autógrafo para a veterana. Que, emocionada, assinou.

FOLHA

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