Por pbagora.com.br

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, manteve nesta terça-feira a linha de resposta da Casa Branca e disse estar mais preocupado com o vazamento dos documentos secretos da guerra do Afeganistão do que com o conteúdo das mais de 91 mil páginas de dados militares.

Em seu primeiro comentário público sobre o vazamento, Obama disse que revelação de informações confidenciais do campo de batalha "pode potencialmente prejudicar indivíduos ou operações".

Ele ressaltou, contudo que os documentos não trazem informações que não tivessem sido exploradas anteriormente pela Casa Branca como parte da reformulação da estratégia da guerra.

Entre as informações que vieram a público, os documentos afirmam que centenas de civis foram mortos sem conhecimento público e oficial pelas tropas de coalizão no Afeganistão, planos secretos para exterminar líderes extremistas do Taleban e Al Qaeda e a discussão do suposto envolvimento de Irã e Paquistão no apoio a insurgentes eram temas recorrentes aos líderes militares.

 Os documentos informam que pelo menos 195 civis foram mortos e outros 174, feridos. O número, contudo, pode ser subestimado porque, em muitas missões, as tropas omitem esse tipo de acontecimento.

Erros que ocasionaram morte de civis também incluem o dia em que soldados franceses bombardearam um ônibus cheio de crianças em 2008, matando 8. Uma ronda similar feita pelas tropas norte-americanas matou 15 passageiros.

Os documentos também apontam o extermínio de uma vila durante uma festa de casamento, incluindo uma mulher grávida, em um aparente ataque de vingança.

Os EUA também acobertaram que o Taleban adquiriu mísseis aéreos, e que escondeu um massacre perpetrado pelo grupo terrorista devido ao uso de bombas, que dizimaram mais de 2.000 civis até então.

As tropas no Afeganistão mantinham ainda uma unidade de "caçadores" para "matar ou capturar" líderes do Taleban sem julgamento.

WIKILEAKS

Os documentos foram vazados pelo site Wikileaks, uma espécie de Wikipedia de documentos vazados. O site disponibilizou os documentos primeiramente aos jornais britânico "Guardian", o alemão "Der Spiegel" e o norte-americano "The New York Times".

A ideia do site é divulgar material o mais amplamente possível com completo anonimato das fontes, que fazem uploads anônimos e protegidos.

Os registros são dos militares americanos e equivalem a um período de seis anos da guerra contra o grupo islâmico Taleban –de janeiro 2004 a dezembro de 2009.

Tanto a Casa Branca quanto o governo britânico e o paquistanês condenaram a divulgação dos dados. Os EUA, contudo, não negaram a autenticidade dos documentos, que revelariam bastidores muito mais cruéis do que eles gostariam de divulgar ao público.

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, disse que não há motivos para duvidar da veracidade dos documentos, mas "assim como lidar com qualquer fonte, você deve exercer bom senso’. "Isto não significa que você deva fechar os olhos", disse.

Folha