Quando os EUA atacaram o Irã, havia um argumento minimamente razoável: enfraquecer um regime que financia e exporta terrorismo pelo mundo e massacra sua população. Principalmente, havia o argumento de proteção do Estado de Israel, existencialmente ameaçado pelo regime iraniano.
Mas a recente guerra se revelou um desastre! É verdade que os EUA enfraqueceram o poderio militar do regime iraniano, inviabilizando qualquer possibilidade de desenvolvimento de arma nuclear. Contudo, não havia plano, nem mesmo um propósito claro.
O Estreito de Ormuz foi fechado e a inflação está se disseminando pelo mundo. Trump falou de retirar dinheiro de creches e escolas para colocar na guerra e está ameaçando cometer crimes de guerra contra instalações civis. Trump se perdeu completamente no messianismo da guerra contra o mal.
Desde Bush, após o 11 de setembro, a direita americana abandonou o ceticismo conservador em troca de um espírito messiânico que propõe usar soldados para espalhar o bem e combater o mal. O trumpismo é o ápice desse messianismo e, agora, está usando a religião para justificar o próprio desastre.
Era justo e devido enfraquecer o brutal regime iraniano. Mas era preciso de sabedoria, prudência e planejamento em coordenação com os aliados. Trump entregou atrapalhadas e cheiro de Vietnã.
Xi Jinping da China observa de longe: “não interrompa seu inimigo quando estiver cometendo um erro”. Trump é o melhor presidente americano que os chineses tiveram. É só cruzar os braços e esperar que ele erre mais. Taiwan está cada vez mais perto.
Anderson Paz
