O ministro iraniano das Relações Exteriores, Manuchehr Mottaki, afirmou neste sábado em Manama (Bahrein) que a imposição de novas sanções contra seu país, devido ao programa nuclear, não teria nenhum efeito.
"Impor sanções ao Irã é ilegal e contrário às normas da ONU [Organização das Nações Unidas]. Isso não teria nenhum efeito", declarou Mottaki à imprensa em Manama, à margem de uma conferência regional sobre a segurança no golfo Pérsico.
Reunidos em Bruxelas (Bélgica), os dirigentes dos países da UE (União Europeia) reiteraram ontem apoiar eventuais sanções do Conselho de Segurança da ONU se o Irã continuar a não cooperar sobre seu programa nuclear.
A Casa Branca acrescentou posteriormente que os Estados Unidos compartilhavam as "graves preocupações" expressas pela UE, e reafirmou a ameaça de consequências que devem ser levadas a sério se o governo iraniano persistir em não cooperar.
As grandes potências estão preocupadas pelo enriquecimento de urânio porque suspeitam que o Irã possa utilizá-lo para ter armas nucleares –o que o governo iraniano nega.
Dez a 15 usinas
Mottaki afirmou que o Irã precisa de dez a 15 usinas nucleares para gerar eletricidade. O Irã tem uma usina nuclear, em construção pela Rússia.
O ministro colocou em dúvida o acordo sobre combustível nuclear esboçado pela ONU. O objetivo do acordo é reduzir a preocupação internacional com o programa atômico iraniano. "Acho que poderíamos simplesmente abandonar tudo ou propor algo mais moderado, um meio termo (…) O Irã tem feito isso" declarou.
O Irã tem buscado mudar o acordo proposto, segundo o qual o país transferiria estoques de urânio enriquecido para o exterior e receberia em troca combustível para um reator destinado a pesquisas médicas. Teerã diz que pode produzir sozinho o combustível se não puder importá-lo.
A proposta da ONU tem como objetivo retirar do Irã reservas de urânio que poderiam, se mais enriquecidas, ser usadas na fabricação de armas.
Folha
