Parte neste sábado (31), da cidade amazonense de São Gabriel da Cachoeira, a missão que tirará da selva, com apoio logístico do Brasil, seis reféns que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) prometeram libertar. A previsão é que a entrega dos sequestrados aconteça em três etapas, de amanhã até a próxima quarta-feira.

Quem afirma é a senadora colombiana Piedad Córdoba, de oposição, que chegou ontem a São Gabriel, onde já estavam os dois helicópteros Cougar do Exército brasileiro cedidos para a missão. Córdoba, por exigência da guerrilha, integrará a comitiva que receberá os reféns. A missão será coordenada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Segundo a senadora, as Farc se comprometeram a entregar, no domingo, três soldados e um policial –seus nomes só serão conhecidos hoje, quando o governo telefonar para seus familiares. Na segunda-feira, será a vez da libertação do ex-governador do departamento (Estado) de Meta, Alan Jara, 51, capturado em 2001. Finalmente, na quarta, sairá da selva o ex-deputado Sigifredo López, 45, cativo desde 2002.

O Exército brasileiro é mais cauteloso ao falar de prazos e menciona que as condições meteorológicas podem atrasar ou dificultar os planos. Dezoito militares do Brasil e dois mecânicos de voo estarão envolvidos na operação.

Nenhum deles nem os helicópteros levarão armas, afirmam fontes do Exército, e citam dois motivos: o caráter humanitário da missão, além da praxe militar de não visitar outros países portando armas.

Os Cougar têm autonomia de voo de 5 horas e podem levar até 20 pessoas. Além de Córdoba, estarão a bordo dos helicópteros os escritores e jornalistas Daniel Samper Pizano e Jorge Enrique Botero e a ativista Olga Amparo Sánchez.

Os três e a senadora são integrantes do grupo de intelectuais, a maioria de esquerda, chamado "Colombianos pela Paz", que começou uma troca de correspondência no ano passado com as Farc, para estimular uma negociação política cada vez mais improvável entre Bogotá e a guerrilha.

Fiadores

Foi nessa correspondência que as Farc, bastante enfraquecidas militar e politicamente, anunciaram que soltariam os seis reféns, em sinal de "boa vontade" e com a esperança de relançar a ideia do intercâmbio humanitário: a troca de um grupo de 28 sequestrados "políticos" por guerrilheiros presos.

Bogotá, porém, rejeita a proposta. Ontem, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, voltou a prometer recompensa e liberdade aos rebeldes que desertarem e entregarem os reféns.

Se exitosa, a missão será a primeira libertação unilateral desde fevereiro, quando a guerrilha entregou quatro ex-congressistas ao presidente venezuelano, Hugo Chávez –então defensor das Farc e interessado em mediar acordo com Bogotá.

De lá para cá, a situação da guerrilha piorou muito: Chávez se reaproximou de Uribe e tem marcado distância das Farc. Numa operação bem-sucedida e controversa, em julho, os militares colombianos conseguiram resgatar 15 reféns de uma vez, incluindo a franco-colombiana Ingrid Betancourt. Um outro refém escapou, com auxílio de um desertor.

Desta vez, os guerrilheiros também exigiram a participação de um "fiador" estrangeiro, na tentativa de ganhar algum holofote internacional. Contou para a escolha do Brasil para a tarefa e a aceitação de Bogotá o perfil discreto de Brasília, que não fez comentários sobre a entrega, cortando espaço de interlocução política com as Farc.

Em Bogotá, amanhã, os familiares dos sequestrados participarão de uma missa para saudar a libertação. Cali, cidade do ex-deputado Sigifredo López, também prepara uma festa.

Folha

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