Por pbagora.com.br

Militares hondurenhos usaram força na manhã desta terça-feira (22) para expulsar os manifestantes pró-Manuel Zelaya que cercavam a Embaixada do Brasil, na capital, Tegucigalpa, e cercaram o prédio.

 

Soldados e policiais com rostos cobertos chegaram ao local às 6h locais (9h de Brasília) e lançaram gás lacrimogêneo e balas de borracha contra a multidão, além de enfrentar os manifestantes com bastões. Os manifestantes estavam armados com paus e pedras, segundo testemunhas. As cerca de 4.000 pessoas que estavam no local se dispersaram.

 

O porta-voz da polícia, Orlin Cerrato, disse que os agentes tiveram que usar "níveis de força adequados" e que os manifestantes continuam nas imediações.

Segundo testemunhas, os militares ligaram um sistema de alto-falantes, viraram-no contra o prédio da embaixada e começaram a tocar o hino de Honduras em volume exagerado.

 

O próprio Zelaya disse à agência France Presse que acredita que a polícia está preparando um ataque ao prédio.

 

Zelaya também disse que conversou na véspera "com alguns militares e policiais" para buscar uma saída para a crise política. Ele afirmou que o governo interino do país tenta "isolar" o país para evitar a chegada de missões internacionais.

 

 

Deposto por um golpe militar em 28 de junho, Zelaya chegou de surpresa ao país nesta segunda-feira (21) e abrigou-se na Embaixada do Brasil.

 

O governo interino que controla o país desde a sua queda estabeleceu um toque de recolher, que teve início na noite de segunda e foi estendido até a tarde desta terça. O breve comunicado, lido em cadeia nacional de rádio e televisão pelo secretário de Imprensa, René Zepeda, assinala que o governo restabeleceu o “toque de recolher em todo o país”, que começou às 16h na hora local (19h de Brasília).

 

O presidente interino, Roberto Micheletti, também pediu ao governo brasileiro que entregue Zelaya para que o presidente deposto seja entregue à Justiça. O governo interino protestou contra o Brasil por ter abrigado Zelaya e o responsabilizou por qualquer ato de violência que possa acontecer perto da sede diplomática, que está cercada de manifestantes favoráveis ao presidente deposto.

O Ministério de Relações Exteriores de Honduras divulgou nota de protesto contra o que considera uma “ingerência em assuntos privativos dos hondurenhos”, e, segundo o governo de fato, uma “flagrante violação do direito internacional”.

 

Micheletti também disse que considera encerrada a mediação da crise pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, devido ao retorno de Zelaya ao país. “Creio que o senhor Arias não tem absolutamente nada a fazer”, afirmou.

 

Segundo o jornal local "El Heraldo", várias regiões da capital estão sem energia elétrica.

 

O governo interino também suspendeu por tempo indeterminado os voos nos aeroportos do país.

 

“A partir de agora, ninguém voltará a nos tirar daqui. Por isso, nossa posição é pátria, restituição ou morte”, afirmou Zelaya diante dos milhares de simpatizantes que cercaram a Embaixada brasileira para comemorar a volta do presidente.

 

 

OEA

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse que adiou a viagem a Honduras devido ao fechamento dos aeroportos, medida decretada pelo na segunda-feira pelo governo de facto.

 

 

 

G1