O pai da menina de 1 ano e meio que morreu no sábado (18) vítima da nova gripe em Diadema, no ABC, disse que questionou uma médica que atendeu sua filha se a criança poderia estar com a doença. “Ela disse que a nova gripe não estava dando em criança”, contou Edson Coelho do Nascimento. Procurada pelo G1, a Secretaria de Saúde do município afirmou que vai falar sobre o assunto apenas em uma entrevista coletiva marcada para a tarde desta quinta-feira (23).
A causa da morte da menina foi confirmada nesta quarta-feira (22). Ela apresentava sintomas, como febre e tosse, desde o dia 15 de julho. Os pais da menina levaram a bebê ao Pronto-Socorro Infantil de Diadema no dia 16. Ela foi medicada e liberada. No dia seguinte, os pais a levaram a um posto de saúde perto de casa. E, de novo, a menina foi liberada, porque a médica considerou que o quadro não era grave. Mas, no sábado, a criança piorou. Os pais então levaram a menina de novo ao Pronto-Socorro Infantil.
Depois de alguns exames, os médicos perceberam que havia uma mancha no pulmão da menina, que o quadro era grave, e decidiram trazê-la para o quarteirão da saúde. Mas não havia vaga na UTI. A menina então foi levada ao Hospital Municipal de Diadema, com suspeita da nova gripe. No mesmo dia, o bebê acabou morrendo. Um médico do hospital disse que o bebê tinha quadro de anemia, o que pode ter agravado a doença.
“Eu só soube que estavam tratando ela como caso de nova gripe quando ela estava na UTI”, contou Edson. Ele disse que procurou uma agente de saúde nesta quinta-feira (23) e recebeu a confirmação de que a filha morreu da doença. Segundo o pai, a agente a pediu para que ele ficasse em casa.
Movimento intenso
O Hospital Municipal de Diadema é o mais movimentado da cidade. E está cada vez mais cheio. Na porta do pronto-socorro, há fila. O número de atendimentos passou de 240 por dia para 340. De acordo com a prefeitura, o medo da gripe a está provocando uma corrida da população, em busca de atendimento.
“Nós estamos seguindo rigorosamente o protocolo, distribuindo material educativo para a população, os agentes comunitários de saúde estão fazendo essa orientação, e também o trabalho com os professores e profissionais da educação”, disse a secretária de Saúde de Diadema, Aparecida Pimenta.
Foi no Hospital Municipal que a menina de 1 ano e seis meses morreu vítima da nova gripe. “Um caso muito rápido, porque, na manhã da sexta-feira, ela estava com sintoma de gripe leve, e, já no sábado, ela faleceu, num estado de complicação e pneumonia. Hoje a equipe de saúde da família estará visitando essa família, passando todas as orientações, e monitorando possíveis casos na família”, disse.
Volta às aulas
A volta às aulas para o ensino fundamental em Diadema estava prevista para segunda-feira, mas foi adiada para quarta, como estratégia para combater a nova gripe. Isso porque, na segunda, profissionais de saúde da cidade vão se reunir com professores e funcionários das escolas, para orientá-los sobre como agir, caso algum aluno apresente os sintomas. Na terça-feira, de acordo com a prefeitura, os pais serão convocados para ir às escolas e também receber orientação. A Secretaria de Saúde chegou a recomendar que os alunos com algum sintoma de gripe fiquem em casa.
No Estado de São Paulo, 12 pessoas já morreram vítimas da nova gripe. Quatro na capital paulista, três em Osasco, uma em Diadema, uma em Itapetininga, uma em Valinhos, uma em Indaiatuba e outra em Botucatu.
G1
