O relatório do uso e produção de drogas divulgado, nesta quinta-feira, pela Organização das Nações Unidas não poupa críticas ao uso e comércio da maconha. Enquanto se discute em países como o Brasil a descriminalização da erva, a ONU afirma que o produto está cada vez mais potente e representa a porta de entrada para outras drogas.

De acordo com a Agência Brasil, o documento também aponta para o fato de que são cada vez mais comuns os atendimentos de emergência de usuários de maconha.

A ONU afirma que em alguns países o uso e o cultivo da planta é banalizado e conta com menos punição em relação a outras drogas. A América do Sul, segundo o relatório, é responsável por 25% da produção mundial de maconha, sendo o Paraguai o maior produtor da droga, com 5,9 mil toneladas, do total de 10 mil plantadas no continente.

Em 2007, as maiores apreensões de maconha foram feitas no Brasil, com 200 toneladas recolhidas, seguido pela Colômbia, que apreendeu 183,2 toneladas. Segundo pesquisa feita entre países da região, os usuários de maconha chegaram a 7,5% da população no Chile, 7,2% na Argentina, 5,3% no Uruguai e cerca de 4% no Peru.

Investimento

O Brasil, embora não apareça como produtor de drogas pesadas – como cocaína ou heroína – acabou, segundo o documento, se tornando rota de passagem para traficantes rumo aos EUA e à Europa, transformando-se também em grande consumidor. Por fazer fronteira com quase todos os países sul-americanos, o Brasil seria mais vulnerável à ação de traficantes, que ingressam com maconha e cocaína pelas cidades do interior até os grandes centros urbanos.

As Nações Unidas elogiaram a legislação adotada aqui a partir de 2006, que propõe penas mais brandas para os usuários, ao mesmo tempo em que endurece a ação contra traficantes.

Ainda assim, o documento alerta o Brasil para a necessidade de se criar infraestrutura capaz de atender a viciados em drogas, para tratamento e reabilitação. Também enfatiza ser preciso haver políticas públicas de prevenção.

Jornal do Brasil

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