Por pbagora.com.br

O aniversário dos 60 anos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) poderá ser marcado pelo primeiro embate deliberado entre a nova administração americana, de Barack Obama, e os europeus. Depois de um certo tempo, os líderes do Velho Continente questionam a presença americana no Iraque, ao mesmo tempo em que hesitam a aumentar o contingente europeu no Afeganistão – uma das prioridades do novo presidente americano desde que tomou posse, e objetivo que ele espera poder, se não concluir, ao menos encaminhar junto aos aliados durante o encontro que ocorre entre hoje e amanhã em Estrasburgo, no Noroeste francês.

As razões de cunho político, é claro, são fundamentais para visualizar os rumos da organização neste aniversário, mas não são elas que ocupam o coração das divergência entre um lado e outro do Atlântico. É a questão do dinheiro, sobretudo em uma época de grave crise econômica, que deverá centralizar a atenção dos debates. Desde longa data, os europeus não se engajam financeiramente o suficiente para aumentar o seu poder na Otan, ao mesmo tempo em que criticam as operações militares unilaterais promovidas pelos Estados Unidos, os grandes financiadores da organização.

Agora, a indiferença dos americanos face a essa questão parece ter chegado a um ponto-chave: querendo aumentar o contingente no Afeganistão, ao mesmo tempo em que enfrenta a turbulência econômica, Obama precisa de mais apoio – ou seja, de mais dinheiro – para, enfim, vencer os talibãs e sepultar a Guerra contra o Terror, iniciada pelo seu antecessor George W. Bush em 2001 e que, até então, beira o fracasso.

"Há uma certa tensão, no sentido de que os europeus não sabem o quanto alto poderá ser o pedido de engajamento financeiro por parte de Obama, assim como o quanto estão dispostos a liberar mais homens para os combates postos como prioritários na agenda de Obama", analisa Sylvie Matelly, especialista em Defesa e diretora de pesquisas do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS) de Paris.

Por outro lado, Obama tem se mostrado menos arbitrário nas decisões militares de seu país do que Bush – o que tem agradado aos europeus e pode ser uma porta para que a Otan ganhe mais importância tanto para europeus, quanto para os americanos.

 

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