O general da Força Aérea Gene Renuart, chefe do Comando Norte do Exército americano, que supervisiona as ações militares na fronteira com o México, afirmou que governo do presidente dos EUA, Barack Obama, apresentará um plano integrado para ajudar o México na guerra contra o narcotráfico. Em depoimento ao Senado, na noite de terça-feira, Renuart disse que o plano poderia ser divulgado ainda esta semana.

A prioridade da Casa Branca, de acordo com o general, é conter o tráfico de armas e drogas, causador da violência que ultrapassou a fronteira e atinge várias cidades americanas. O objetivo do governo é dar apoio ao Exército mexicano e aumentar a segurança nos postos de fronteira para tentar diminuir a presença de cartéis mexicanos em território americano.

O Exército dos EUA já está empregando na fronteira com o México técnicas de guerra usadas no Iraque e no Afeganistão, incluindo os voos de Predators, aeronaves não-tripuladas, e tecnologia capaz de localizar túneis.

No entanto, uma equipe intergovernamental composta por funcionários de várias agências se reunirá esta semana no Departamento de Segurança Interna para ampliar essas iniciativas. "Esse é um assunto que diz respeito a todos os setores do governo e a melhor resposta é uma ação agressiva de todas as agências", disse Renuart. "Acredito que teremos um plano ainda esta semana."

Um grupo de senadores e especialistas relatou ontem a investigadores de três agências federais que o recente aumento nos índices de violência no México é uma ameaça grave à segurança de cidadãos americanos.

De acordo com o relatório apresentado pelo grupo, a atual ajuda concedida pelos EUA ao México para o combate ao narcotráfico tem sido um fracasso. "Não estamos vencendo essa guerra", afirmou o procurador-geral do Estado do Arizona, Terry Goddard, um dos integrantes do grupo.

Desde o início do ano, mais de mil pessoas foram assassinadas no México em casos ligados ao narcotráfico – em 2008, ocorreram 5 mil assassinatos. De acordo com dados do centro de inteligência do Departamento de Justiça, os cartéis mexicanos já operam em cerca de 230 cidades dos EUA e são responsáveis pelo aumento no número de sequestros, assassinatos e assaltos a residências em todo o país.

Em Phoenix, no Arizona, a polícia local registra uma invasão de domicílio por dia, a maioria promovida pelos cartéis mexicanos. Autoridades em Atlanta afirmam que os índices de violência nos EUA são maiores do que os dados oficiais porque boa parte dos assassinatos envolve traficantes que não denunciam os crimes à polícia.

CONTRABANDO

Segundo Denise Dresser, especialista da Universidade de Princeton e professora de ciências políticas na Cidade do México, o quadro é ainda mais grave. Ela estima que cerca de 450 mil pessoas estejam envolvidas com o narcotráfico e 2 mil armas por dia entrem ilegalmente no México – de acordo com o governo americano, 95% das armas usadas pelos cartéis vêm dos EUA.

Agentes de imigração afirmam que o armamento contrabandeado é cada vez mais sofisticado e já inclui rifles calibre .50 e munição de 5 polegadas, capaz de penetrar uma parede (mais informações abaixo).

Os americanos são também os maiores clientes dos narcotraficantes mexicanos. A DEA (agência antidrogas dos EUA) calcula que os cartéis mexicanos faturem cerca de US$ 30 bilhões anuais com a venda de drogas nos EUA.

O secretário de Justiça, Eric Holder, e o presidente Obama visitarão o México em abril para discutir segurança e imigração com o presidente mexicano, Felipe Calderón. Semana que vem, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, também fará uma visita oficial ao México para tratar do mesmo tema.
 

estadao.com.br

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