A ajuda dos Estados Unidos à Faixa de Gaza não pode ser dissociada do processo de paz, afirmou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, na conferência internacional de doadores para a reconstrução de Gaza em Sharm el-Sheikh, no Egito, que teve também a participação das Nações Unidas, mas não de Israel e do Hamas. Em resumo: o dinheiro que será destinado à região será doado sob condições.

 

Washington anunciou uma contribuição total de US$ 900 milhões para os palestinos durante a conferência, mas, deste total, US$ 600 irão para a Autoridade Palestina e os US$ 300 milhões restantes serão levados para a Faixa de Gaza em forma de ajuda humanitária. A região foi bem destruída após a ofensiva israelense no final de dezembro de 2008 e no começo de janeiro de 2009.

 

Hoje, a Autoridade Palestina tem controle basicamente sobre a Cisjordânia após perder Gaza no voto e em combates armados para o Hamas desde junho de 2007.

 

Hillary afirmou ainda que obteve do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, garantias de que o dinheiro americano não seguirá para o Hamas, que desde junho de 2007 controla a Faixa de Gaza e que Washington considera uma organização terrorista.

 

"Nossa resposta à crise de hoje não pode estar dissociada de nossos esforços mais amplos para alcançar uma paz global", afirmou a chefe da diplomacia dos Estados Unidos, segundo trechos do discurso divulgados com antecedência pela delegação americana. “Temos trabalhado com a Autoridade Palestina para instalar segurança na região e não queremos que os fundos caiam em mãos erradas”, afirmou ela.

"Ao conceder uma ajuda humanitária a Gaza, também queremos promover as condições nas quais seja possível ver um Estado palestino", disse.

 

A ONU e várias agências humanitárias também disseram que a reconstrução de Gaza continuará sendo muito difícil enquanto as fronteiras do território continuarem fechadas.

"A situação nos acessos fronteiriços é intolerável. Trabalhadores humanitários não têm acesso. Produtos essenciais não conseguem entrar", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, na reunião.

"Nossa meta primeira e indispensável, portanto, é abrir os acessos. Pela mesma moeda, entretanto, é essencial garantir que armas ilegais não entrem em Gaza", afirmou.

O Ocidente isola o Hamas porque o grupo islâmico se recusa a reconhecer Israel, renunciar à violência e se comprometer com acordos de paz com o Estado judeu.

Por outro lado, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, pressionou Israel a abrir as fronteiras e permitir o acesso de produtos essenciais. "Gaza não deveria ser uma verdadeira prisão a céu aberto", disse ele em entrevista coletiva.

Israel impõe um bloqueio econômico a Gaza desde que o Hamas assumiu o controle do território, em junho de 2007. Para o processo de reconstrução, o governo israelense diz que exigirá aprovações e garantias específicas de que cada projeto não poderá beneficiar o Hamas.

O Egito, que também faz fronteira com Gaza, se recusa a abrir a fronteira de Rafah ao tráfego normal — aceita apenas um acesso limitado.

Sarkozy também conclamou os grupos palestinos rivais a superarem suas divisões. Os grupos palestinos, inclusive o Hamas e a facção laica Fatah, de Abbas, aceitaram na semana passada negociar um governo de unidade nacional que prepare a realização de eleições legislativas e presidenciais na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

A Comissão Europeia (Poder Executivo da União Europeia) anunciou na semana passada a intenção de doar 436 milhões de euros (US$ 552,6 milhões), também destinados à reconstrução de Gaza e a reformas na Autoridade Palestina.

Países árabes do golfo Pérsico pretendem destinar US$ 1,65 bilhão em ajuda a Gaza ao longo de cinco anos. Eles disseram que outros países árabes poderão aderir ao plano.

Não está claro ainda se Israel abrirá as fronteiras para a passagem de enormes quantidades de material necessário para a reconstrução, como cimento e aço. Israel rejeita a entrada de materiais que supostamente poderiam ser usados na produção de foguetes dos militantes.

"O dinheiro é importantíssimo, mas não irá resolver o problema se não houver pressão da comunidade internacional sobre Israel para abrir todos os acessos a Gaza", disse Gasser Abdel-Razek, porta-voz da ONG Oxfam International.

G1

 

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