A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta sexta-feira, 6, que o governo de Barack Obama está experimentando o terreno em sua aproximação diplomática com o Irã e a Síria. Na véspera, Hillary afirmou que os EUA planejam convidar o Irã para a conferência internacional sobre o Afeganistão, que deve acontecer no fim deste mês, e dois oficiais americanos estarão na Síria neste fim de semana como parte da nova estratégia americana em abordar seus inimigos, uma mudança na postura da administração Bush.

"Temos o senso de urgência na administração Obama. Acreditamos que há muitos desafios e ameaças que herdamos e que devemos nos direcionar, mas também há muitas oportunidades", afirmou Hillary em entrevista para a National Public Radio. "Estamos sendo extremamente vigorosos em nossa aproximação porque estamos experimentando o terreno… Estamos determinados a fazer o possível. Estamos virando páginas e fazendo todos os tipos de esforços para criar mais parceiros e menos adversários", afirmou.

 

Hillary afirmou que os detalhes finais sobre a conferência para o Afeganistão ainda não foram definidos, mas que os países interessados na estabilidade da região serão convidados, incluindo o Irã. "O Irã, por exemplo, está profundamente preocupado com a importação de narcóticos para o solo iraniano do Afeganistão. Existem muitas razões para o Irã ter interesse", afirmou. A secretária, que propôs que o encontro aconteça em 31 de março, indicou que os EUA ainda não receberam nenhuma posição de interesse de Teerã sobre a reunião. "Obviamente eles decidirão se vão participar", afirmou.

 

Enviados à Síria

 

Desde sua posse, em janeiro, o presidente americano vem dando sinais de uma possível reaproximação do Irã, país com o qual Washington não mantém relações diplomáticas desde 1979. Em mais uma indicação de mudança de direção na diplomacia para o Oriente Médio, o governo do presidente americano enviará neste fim de semana dois funcionários de alto escalão à Síria, com a missão de iniciar negociações com o regime do presidente Bashar Assad. O governo de George W. Bush chamou de volta seu embaixador em Damasco, em 2005, após o assassinato do ex-premiê libanês Rafic Hariri. Muitos libaneses acusam a Síria de envolvimento no assassinato, o que Damasco desmente.

 

Os enviados serão Daniel Shapiro, que supervisiona questões do Oriente Médio no Conselho de Segurança Nacional, e Jeffrey Feltman, secretário de Estado adjunto para o Oriente Médio. Feltman já foi embaixador dos EUA no Líbano e Shapiro, assessor de campanha de Obama para a região. Os dois chegaram nesta sexta ao Líbano, onde se reuniram com autoridades do país, de onde seguirão para Damasco. Ao chegar em Beirute, eles afirmaram que a viagem para a Síria tem o objetivo de vincular os sírios aos objetivos de Obama para a região. "O presidente Obama foi claro: a participação é uma ferramenta de nossa política e quer que os Estados da região façam parte dela, incluindo a Síria", afirmou Feltman.

 

Em suas declarações após se reunir com o premiê libanês, Fuad Siniora, Feltman afirmou que Washington tem ainda "uma grande lista" de preocupações que será discutida no fim de semana com autoridades sírias. "Nossa viagem para a Síria é uma oportunidade para começar a tratar destas preocupações e poder obter um compromisso para promover nossos objetivos na região", disse.

 

 

estadao.com.br

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