Por pbagora.com.br

 Equipes de resgate retomaram nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (25) o trabalho de busca por vítimas em meio aos destroços do avião da companhia aérea alemã Germanwings, que caiu na terça (24) nos Alpes franceses. Nevou muito durante a madrugada na região onde a aeronave caiu.
A Lufthansa, daqual a Germanwings é parte, afirmou nesta quarta que o acidente é "inexplicável", e que o Airbus A320 que caiu matando 150 pessoas era "tecnicamente irretocável".

O movimento de veículos por terra se intensificou a partir das 7h (horário local, 3h de Brasília) assim que saiu o sol na cidade de Seyne-les-Alpes, a poucos quilômetros do local do acidente e onde se concentram os serviços de resgate.
A prioridade nesta quarta será recuperar a segunda caixa-preta. A primeira já foi encontrada e encaminhada para Paris, onde já foi iniciada análise. O equipamento está danificado, mas as autoridades esperam conseguir recuperar informações relevantes para a solução do acidente.

O início dos sobrevoos dos helicópteros encarregados de transportar os investigadores ao local exato da queda, de acesso impossível por estrada, começou pouco depois, às 8h (4h de Brasília).

As equipes de buscas quase não abrigam esperanças de encontrar com vida algum dos 150 ocupantes do avião, seis deles integrantes da tripulação.
Os destroços estão localizados em uma região de 2 mil metros de altitude, e segundo o general francês David Galtier, "os pedaços de corpos humanos localizados não são maiores que uma pequena maleta".

As autoridades tentarão criar um caminho rumo ao lugar onde se encontram os restos da aeronave. Embora as nuvens estejam altas, o que facilita o voo dos helicópteros, é possível que chova e que haja vento ao longo do dia, segundo os serviços meteorológicos.

O tenente-coronel Jean-Marc Ménichini, da gendarmaria, informou que 30 investigadores e médicos legistas integrarão as equipes nos helicópteros de busca.
A tarefa vai tomar pelo menos uma semana, advertiu.
"O acesso ao local é muito complicado. É uma área de muitas montanhas, muito elevada e é muito difícil chegar no local no inverno, a não ser pelo ar", disse Francoise Pie, morador da região.
Uma unidade de emergência médico-psicológica foi estabelecida no hospital de Digne-les-Bains e outra será instalada em Seyne-les-Alpes, com intérpretes de espanhol e de alemão.
Caixas-pretas
A prioridade é tentar encontrar a segunda caixa-preta, a "FDR" (Flight Data Recorder), que grava os dados do voo segundo por segundo, uma tarefa que será complexa em consequência da dispersão de partes do avião em uma ampla área montanhosa de difícil acesso entre Digne-les-Bains e Barcelonette (Alpes da Alta Provença).
O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, informou nesta quarta que a caixa-preta encontrada até agora está danificada. No entanto, ele disse que o equipamento pode ser analisado por especialistas e já foi enviado ao Escritório de Investigação e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA, na sigla em inglês), cuja sede fica em Paris.
Entre os milhares de pedaços da aeronave foi possível identificar apenas o trem de pouso, segundo um investigador, o que levanta a possibilidade de que o avião se desintegrou no choque com as paredes rochosas.
A chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, e o presidente francês, François Hollande, visitarão o local da tragédia, que conta com mais de 300 policiais e 100 bombeiros.
As autoridades francesas organizaram um grande esquema em Seyne-les-Alpes para receber os familiares das vítimas que queiram chegar até o local.
Autoridades não privilegiam "hipótese terrorista"

No momento as causas do acidente são desconhecidas. Os pilotos do voo 4U9525 não enviaram nenhum sinal de problemas na aeronave.
O governo francês anunciou que não privilegia a hipótese terrorista.
"Todas as hipóteses devem ser consideradas até que a investigação apresente resultados, mas a hipótese terrorista não é privilegiada", disse o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, à rádio RTL.
"Há uma concentração de partes do avião em um espaço de um hectare e meio. É um espaço importante porque o impacto foi importante, mas isto mostra que o avião provavelmente não explodiu", completou o ministro.

A queda do avião, que tinha 25 anos e havia passado por uma revisão há menos de dois anos, durou oito minutos, segundo a Germanwings.
"No momento consideramos que foi um acidente e qualquer outra coisa é mera especulação", disse Heike Birlenbach, vice-presidente da Lufthansa.
Contato perdido
O contato com os pilotos do avião se perdeu às 10h31 (horário local, 6h31 de Brasília), 20 minutos antes da queda, informou a ministra de Ecologia da França, Ségolène Royal.

A torre de controle da cidade francesa de Aix-en-Provence, no sul do país, pôde falar pela última vez com a cabine às 10h30 (6h30 de Brasília), em um momento em que o avião se encontrava a 11.400 metros de altitude.

Os controladores, como afirmou Royal na emissora "RMC", indicaram aos pilotos que mantivessem esse nível de voo e que se pusessem em contato com a torre posteriormente, e receberam a confirmação da cabine.

Um minuto depois, no entanto, o avião começou a descer sem autorização, e os pilotos, segundo a ministra, não responderam aos chamados dos controladores quando estes lhes perguntaram pela perda de altura.
Às 10h40 (6h40 de Brasília), o avião, a 2.000 metros de altitude, desapareceu dos radares, e nove minutos depois helicópteros do pelotão de alta montanha da cidade de Jausiers, um caça Mirage 2000 e um avião de provisão decolaram em sua procura.

 

G1

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