A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, prometeu na terça-feira pressionar pela criação de um Estado palestino, colocando Washington em uma possível rota de colisão com o primeiro-ministro indicado de Israel, Benjamin Netanyahu.

Netanyahu, com quem Hillary deve se encontrar mais tarde durante o dia, tem falado de um governo palestino, mas não dá sinais de que apoiará a criação de um Estado palestino ao lado de Israel como solução para o conflito.

Em conversas em Jerusalém após comparecer a uma conferência de doadores no Egito para a reconstrução da Faixa de Gaza, Hillary reafirmou a visão do governo de Barack Obama sobre a paz entre israelenses e palestinos.

"Durante a conferência, eu enfatizei o compromisso do presidente Obama e meu de trabalhar para chegar a uma solução de dois Estados para o conflito entre Israel e os palestinos e nosso apoio à Autoridade Palestina", disse ela, após encontrar-se com o presidente Shimon Peres.

Netanyahu, que muitas vezes opôs-se ao governo dos EUA na administração Bill Clinton, marido de Hillary, foi indicado por Peres para formar um governo após as eleições parlamentares de fevereiro.

Ele tem assentos suficientes para formar um governo de direita, mas tem tentado, sem sucesso até o momento, unir uma coalizão mais ao centro, o que poderia reduzir os atritos com os Estados Unidos.

"É uma gama de assuntos muito difícil e complexa", disse Hillary, sobre os esforços de paz na região antes de sua chegada a Jerusalém, na segunda-feira à noite.

Falando a jornalistas depois do encontro com Peres, Hillary expressou um "inflexível compromisso com a segurança de Israel" e disse que os contínuos ataques com foguetes vindos da Faixa de Gaza têm que parar.

No Egito, na segunda-feira, ela tentou mostrar um forte apoio financeiro ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e prometeu 900 milhões de dólares em ajuda dos EUA.

Na conferência, ela manteve o discurso linha dura de Washington contra o Hamas ao dizer que o dinheiro não deveria chegar às mãos do grupo islâmico, que hoje governa a Faixa de Gaza. Hillary afirmou que o Hamas precisa reconhecer Israel, renunciar à violência e assinar acordos anteriores feitos entre a Palestina e Israel se quiser sair do isolamento.

Na quarta-feira, Hillary visita a Cisjordânia para ver Abbas e o primeiro-ministro Salam Fayyad.

Em uma mudança no estilo de diplomacia mais formal de sua antecessora, Condoleezza Rice, Hillary planeja falar a estudantes em uma escola local.
 

estadao.com.br

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