Por pbagora.com.br

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton (1993-2001) chegou nesta terça-feira à Coreia do Norte para tentar a libertação de duas jornalistas norte-americanas detidas e condenadas a 12 anos de trabalho forçado no país. A imprensa sul-coreana especula que o avião de Clinton deixará Pyongyang com as duas a bordo, caso terminem com sucesso as negociações. No entanto, a falta de informação cerca o assunto.

O site Politico.com informou que as conversações estão avançadas, e que o governo norte-coreano já informou aos familiares das duas jornalistas que vai entregá-las ao ex-presidente.

 

O site informou ainda, citando uma fonte do governo dos EUA não identificada, que a Casa Branca aprovou a missão, que foi planejada secretamente durante semanas.

O governo americano, no entanto, não quis comentar o assunto. "Enquanto esta missão, somente particular, para assegurar a libertação de duas americanas estiver em andamento, não teremos comentários", disse, em comunicado o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.
Clinton se encontrou com o ditador norte-coreano Kim Jong-il e transmitiu "de maneira cortês" uma mensagem verbal do presidente Barack Obama a ele –que, segundo a imprensa sul-coreana, está muito doente e já prepara seu filho para sucessão.

A agência de notícias Yonhap, de Seul, que cita como fontes a rádio Pyongyang e a estação central de televisão norte-coreana, disse que Kim agradeceu a mensagem. Os dois, ainda segundo a agência, teriam discutido "uma grande variedade de opiniões".

A Casa Branca, contudo, negou que Clinton leva ao país uma mensagem de Obama. "Isto não é verdade", disse Gibbs, citado pela agência Reuters.

O porta-voz explicou que a visita de Clinton ao país comunista é "particular" e afirmou que a Casa Branca não fará comentários.

"Enquanto esta missão, somente particular, para assegurar a libertação de duas americanas estiver em andamento, não teremos comentários", disse. "Não queremos colocar em perigo o sucesso da missão do ex-presidente Clinton", acrescentou.

Prisão

A coreana-americana Euna Lee e a sino-americana Laura Ling, que trabalham para o canal de TV californiano Current TV, foram detidas em 17 de março passado por ter cometido, segundo Pyongyang, "atos hostis" e entrado ilegalmente em território norte-coreano.

Elas gravavam imagens na fronteira entre China e a Coreia para um documentário sobre o tráfico de mulheres refugiadas norte-coreanas. O tribunal encarregado as condenou a 12 anos de "reeducação pelo trabalho".

Segundo especialistas, o regime norte-coreano quer usar as duas jornalistas como um meio para pressionar Washington e convencer o governo de Barack Obama a iniciar conversações diretas.

Chegada

 

Clinton foi recebido no aeroporto Sunan, de Pyongyang, pelo vice-presidente da Assembleia Suprema do Povo da Coreia do Norte, Yang Hyong-sop, e pelo vice-chanceler, Kim Kye-gwan, que lidera também a delegação de seu país no diálogo nuclear.

As imagens da TV estatal mostraram uma menina norte-coreana entregando flores, ainda no aeroporto, a Clinton, mas a imprensa local não informa oficialmente o motivo ou a agenda da viagem do ex-presidente americano.

Clinton é mais importante personalidade dos Estados Unidos a visitar o regime comunista desde 2000, durante sua última presidência (1997-2001), quando a ex-secretária de Estado, Madeleine Albright, viajou ao país.

Coreia do Norte e EUA realizaram frequentes consultas sobre as detidas durante as últimas semanas, segundo as fontes citadas pela Yonhap.

O governo de Obama planejava enviar o ex-vice-presidente Al Gore, mas Pyongyang rejeitou a ideia, aparentemente para que Washington enviasse um alto funcionário autorizado a manter conversações políticas.

As relações entre o regime norte-coreano e os Estados Unidos, assim como com seus aliados, atravessam seu pior momento depois do segundo teste nuclear de Pyongyang em 25 de maio passado.

Os testes nucleares foram condenados pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que ampliou as sanções contra o regime de Pyongyang. Os norte-coreanos reagiram ameaçando não abrir não de suas ambições atômicas e de utilizar seu plutônio com fins militares.

 

 

 

Folha