Os médicos costumam dizer que toda cirurgia envolve um risco. Agora, quando o paciente ainda está no ventre da mãe, a operação é ainda mais delicada. No Brasil, uma técnica pouco conhecida está sendo usada com sucesso para salvar bebês que sofrem de uma doença rara: a obstrução da bexiga.

 

A cirurgia é feita com uma agulha pouco mais grossa que um fio de cabelo. Na ponta dessa agulha vão uma câmera e um laser, usado para destruir uma membrana que pode provocar a morte do feto. A técnica, que começa a ser usada no país, já permitiu que novos brasileirinhos nascessem.

 

Trata-se de um problema muito raro e muito grave. A primeira pista é descoberta no exame pré-natal. A obstrução da uretra é provocada por uma membrana que não deixa o líquido na bexiga passar. Com o tempo, ela começa a incha. Depois é a vez de os rins ficarem dilatados.

Em quase todos os casos, esse problema leva à morte do feto. Quando a gravidez chega ao final, a chance de vida da criança também é muito pequena. Mas uma técnica usada em poucos países, inclusive no Brasil, tem conseguido mudar essa história.

 

A cirurgia é chamada de cistoscopia fetal. Orientado pela imagem do ultrassom, o médico introduz uma agulha de dois milímetros na barriga da mãe. Atravessa o útero e a barriga do feto até chegar à bexiga.

 

Dentro da agulha vão a lente de uma câmera e um feixe de laser. Quando o médico localiza a obstrução da uretra, ele dispara o laser e destrói a membrana. O líquido começa a passar imediatamente.

 

“O objetivo é conseguir desobstruir essa bexiga e fazer com que a lesão renal não progrida e que o pulmão se desenvolva para a criança sobreviver. Depois ela vai ser tratada por um urologista e seguida por um nefrologista pediátrico”, explica o médico obstetra Rodrigo Ruano.

 

Rodrigo Ruano explica que a técnica foi criada nos Estados Unidos há dez anos e é usada também na Inglaterra e no Brasil. Ela é pouco conhecida porque o problema é raro e só pode ser tratado se identificado no início da gravidez. O médico já operou cinco fetos. Quatro sobreviveram. Felipe foi um deles. Os pais descobriram o problema a tempo.

 

“Quando a médica ficou naquele silêncio, ela explicou que ele estava com a bexiga estendida, mas estava vendo um tratamento”, lembra o pai de Felipe, Jerlan Mesquita.

 

Os pais do menino passaram um dia inteiro no hospital decidindo se fariam a cirurgia, que pode provocar a interrupção da gravidez.

 

“Minha esposa chorava muito nesse dia. Até eu não aguentei e chorei também”, disse o pai de Felipe, Jerlan Mesquita.

 

Hoje eles sabem que tomaram a decisão certa. Felipe tem sete meses, pesa oito quilos e enche a casa de alegria. “Valeu à pena. Felipe está com saúde”, comenta, orgulhoso, o pai.

 

A deficiência que leva ao inchaço da bexiga do bebê pode ser diagnosticada a partir do terceiro mês de gravidez. Por isso, é importante fazer o pré-natal e não deixar passar a data dos exames.

G1

 

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