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As raízes da nova direita

Por “nova direita” nos referimos ao recente movimento de uma direita antiglobalização, isto é, contrária aos efeitos econômicos e ideológicos da globalização. Trata-se de um fenômeno relativamente recente que ganhou força com Trump e outros líderes latinos e europeus.

De forma concisa, a direita esteve, desde a década de 1980, sob o paradigma Reagan e Thatcher. Esses dois líderes tinham uma visão favorável à globalização e ao livre mercado. Só nos últimos anos que a direita colocou esse paradigma em xeque.

A globalização deixou para trás milhões de pessoas das classes baixas, desindustrializou cidades, aprofundou desigualdades econômicas e retirou o senso de comunidade local. A insatisfação foi captada por líderes como Trump e deu lugar a uma nova direita contrária à globalização.

Em meio a essa mudança, boa parte dos cristãos se mantiveram – de Reagan a Trump – mais ligados à direita do espectro político. O principal fator tem sido a percepção de maior resistência na direita a valores progressistas que atentam contra crenças básicas da fé. Basta notar o que as elites progressistas acham de evangélicos-brancos-heteros-conservadores.

Um paradoxo é que essa nova direita se constituiu por meio de um dos principais produtos da globalização: as redes sociais. Os líderes tiveram uma capacidade singular de agregar pessoas usando o principal combustível da política polarizada: a exposição da hipocrisia dos grupos adversários.

Portanto, essa nova direita parece ser uma radicalização da antiga direita: enquanto Reagan só foi antiglobalização nos valores mas não na economia, a nova direita é antiglobalização tanto nos valores quanto na economia. Em comum, a massa de cristãos acompanhou essa mudança paradigmática.

Anderson Paz


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