O Irã construirá em breve um novo reator de pesquisa nuclear médica mais potente do que o que atualmente existe em Teerã, anunciou nesta quarta-feira o chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi.
"Estamos preparando a construção de um reator mais potente do que o de Teerã para produzir radioisótopos, e este reator começará a funcionar em breve", declarou Salehi, citado pelo site da TV estatal iraniana.
O chefe da Organização da Energia Atômica iraniano não especificou em que estado será implantado o projeto, nem informou a potência do novo reator.
O Irã dispõe atualmente em Teerã de um reator de pesquisa nuclear de 5 megawatts construídos antes da revolução islâmica de 1979.
O país lançou em fevereiro último a produção de urânio enriquecido a 20% para, segundo a versão oficial, fabricar combustível para o reator. A decisão causou uma nova crise na comunidade internacional, que suspeita que Teerã pretenda construir uma bomba atômica.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas, formado por 15 países, aceitou na semana passada uma proposta para endurecer as sanções ao Irã por causa das suspeitas sobre seu programa nuclear com a só oposição da Turquia e Brasil, e a abstenção do Líbano.
As novas medidas estabelecem mais restrições às operações dos bancos iranianos e aumentam a vigilância das transações no exterior de todas as entidades financeiras do país.
Ameaça
Também hoje, o Parlamento iraniano advertiu que o Irã "responderá na mesma moeda" se as sanções impostas pela ONU forem aplicadas a navios em alto-mar ou aeronaves do país.
Em declarações publicadas pela agência de notícias Isna, o presidente da Câmara, Ali Larijani, também que o governo prossiga com o programa de enriquecimento de urânio.
"Faço uma advertência aos aventureiros americanos e aos outros países que, em caso que tentem inspecionar a carga de navios ou aviões iranianos, devem saber que nós faremos o mesmo no golfo Pérsico e no mar de Omã", afirmou.
"A medida faz parte da defesa de nossos interesses nacionais", acrescentou o político entre gritos de "Morte aos Estados Unidos", "Morte a Israel" e "Deus é o maior" procedentes da bancada.
Diante desse argumento, Larijani, indicou que "os países opressores devem entender que sua ilógica pressão será contestada proporcionalmente com o nível de enriquecimento de urânio que necessitemos".
Europa
Os chefes de Estado da União Europeia deverão ampliar a pressão sobre o Irã, nesta quinta-feira (17), ao aprovar novas sanções unilaterais mais rigorosas que as obtidas no Conselho de Segurança.
Pelo texto, seriam proibidos "investimento, assistência técnica ou transferência de tecnologia, equipamento ou serviço, particularmente de refino e de liquefação".
Embora países como a Alemanha, que investe no setor energético iraniano, tenham expressado reservas, diplomatas relataram haver amplo apoio entre os ministros do Exterior do bloco.
Nas próximas semanas, os EUA também devem aprovar novas sanções unilaterais contra o Irã, ainda mais duras. As medidas fazem parte da estratégia traçada por Washington para forçar o país a interromper seu programa nuclear, na esteira das sanções aprovadas na ONU.
Ontem, o vice-ministro de Indústrias e Minas do Irã, Mohamad Masud Samieneyad, disse que o país irá restringir a exportação de minerais a nações que lhe impuserem sanções. "As suas cotas irão para países que não podíamos servir por limitações de produção".
Folha








