A ética de Jesus é incompatível com a ética da guerra cultural. A primeira é uma ética dos meios e dos fins. A segunda é uma ética apenas dos fins. Vejamos.
A ética de Jesus sempre exigiu que, para atingir fins corretos, os cristãos seguissem determinados valores e princípios, como perdoar, dar a outra face, orar pelos inimigos, fazer o bem a quem persegue, etc.
Já na ética da guerra cultural, o que vale são apenas os fins. Para proteger a família, para combater as pautas de gênero e para lutar contra o aborto, vale caluniar e destruir os inimigos. Os fins são lícitos, mas os meios são antibíblicos.
O problema é que Jesus não autorizou seus discípulos a abandonarem a ética do Reino para vencer disputas culturais. O cristão não recebe uma licença moral para mentir porque está defendendo a verdade, para odiar porque está combatendo o mal, para caluniar porque está enfrentando uma ameaça.
A defesa de valores cristãos não pode ser separada do caráter cristão. Ser cristão significa que a forma como lutamos também está submetida ao senhorio de Cristo. Há uma contradição quando alguém afirma defender a moral cristã utilizando métodos que Cristo proibiu. Não se pode defender a verdade por meio da mentira, a justiça por meio da injustiça ou o amor ao próximo por meio do ódio.
A guerra cultural pode produzir vitórias políticas, eleitorais ou institucionais. Mas uma vitória conquistada pela violação dos mandamentos de Cristo não pode ser apresentada como vitória da fé cristã. O Reino de Deus não avança pela transformação dos cristãos em guerreiros culturais dispostos a fazer qualquer coisa para vencer, mas pela fidelidade de discípulos.
A pergunta decisiva, portanto, não é apenas “estamos defendendo a coisa certa?”, mas também “estamos defendendo a coisa certa da maneira certa?”. Para Jesus, as duas coisas importam.
