Treino da Seleção Brasileira em Campo Grande. Estádio Morenão vazio. Até a CBF autorizar a entrada dos torcedores, que rapidamente ocupam as arquibancadas. Eles são três mil. Um grupo se concentra na lateral do campo e começa a disparar para todos os lados.
O primeiro alvo é o novato Diego Souza. "Ô, Diego, o Palmeiras está levando 2 a 0, hein? Não vai ser campeão", provoca um deles. O palmeirense, ainda tímido na Seleção, finge que não é com ele e continua correndo em volta do campo.
"Ixi, Diego, 3 a 0 agora. Já era, hein??", volta a alfinetar o mesmo torcedor. A resposta é a mesma, o silêncio. Sem o meio-campista, o time alviverde foi derrotado pelo Náutico no Recife, mas segue na liderança do Campeonato Brasileiro.
Um garoto com a camisa do Atlético-MG faz um pedido especial. "Gilberto Silva, volta para o Galo para disputar a Libertadores no ano que vem". O capitão brasileiro, revelado pelo clube mineiro, dá uma curta risada.
O bombardeio vindo das arquibancadas continua. "Lucas, dá um tchauzinho para mim", "Nilmar, volta para o Internacional", "Dunga, convoca o Obina", sem falar nos gritos histéricos de torcedoras por Kaká.
O barulho começa a incomodar. Jorginho, então, pula a placa de publicidade e faz uma solicitação. "Já deixamos vocês entrarem, agora vocês tem que nos ajudar, né?". Pedido aceito. E o treino termina com silêncio nesse lado da arquibancada.
No outro, a festa continua. Uma fã, que gritou o nome de Luís Fabiano por mais de uma hora, ganha a camisa do atacante e a veste na hora. Até Dunga entra o clima e chuta bola para os torcedores. A festa termina. Na terça-feira, o treino deve acontecer com portões fechados.
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