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Tetraplégico disputa corridas de kart

Há 11 anos, em uma viagem com amigos, Michael Rigon dormiu no volante e acordou tetraplégico. O acidente adiou muitos planos, mas o jovem manteve a determinação de que ele não mudaria sua vida.

 

Rigon se formou, se casou, voltou ao trabalho e, contrariando a família, fez de tudo para voltar a dirigir. E não só a dirigir. Com a ajuda de amigos, o hoje veterinário disputa corridas de kart – de igual para igual com pilotos sem deficiências físicas.

No clima da atual novela das oito, "Viver a Vida", a Rede Globo está promovendo uma campanha para lembrar que a vida vale a pena ser vivida, apesar das dificuldades e dos obstáculos cotidianos. Venha Viver a Vida dá nome a uma série de reportagens que mostra histórias de superação, em que momentos de tristeza dão lugar à esperança. Venha Viver a Vida reúne casos exemplares, vividos por gente famosa e por anônimos. Essas reportagens são publicadas no G1, nos sites EGO, GloboEsporte.com, Vídeo Show e na página oficial da novela Viver a Vida.

Após o acidente, quando os médicos deram a notícia de que ele dificilmente voltaria a andar, o então jovem de 22 anos não se deixou abalar. “Sempre fui uma pessoa muito firme, muito prática. Essa coisa de depressão, graças a Deus, eu não tive. Peguei aquilo e encarei. Pensei: ‘essa é a situação, vamos em frente’”.

 

Rigon precisou trancar a faculdade de veterinária que cursava no Rio Grande do Sul e voltar para Ariquemes, em Rondônia, onde nasceu.

 

Mas não foi sozinho. O acidente revelou não apenas sua força de vontade, mas a força do amor de sua então namorada, e hoje esposa, Juliana.

“Ela segurou as pontas. Estava no auge da juventude e largou tudo, família, amigos e veio para Rondônia comigo”, conta Michael. “A força dela é uma coisa incrível”, afirma.

Um ano e meio depois do acidente, Rigon voltou para faculdade e se formou veterinário. Dois anos e meio depois disso, ele e Juliana se casaram. “A gente toca a vida normal. Todo mundo tem as suas limitações. Essa é a minha, mas eu não deixo nada disso me impedir de fazer as minhas coisas. Eu estudei, eu trabalho, eu levo uma vida como a de todo mundo”, conta.

A vontade de levar a “vida normal” fez Michael Rigon contrariar toda a família e voltar a fazer exatamente aquilo que causou seu acidente: dirigir. “Meu pai ficou ressabiado. Não gostou. Mas como ele mesmo diz, mais teimoso é quem teima comigo”, ri.

 

Um grupo de amigos que corria de kart assumiu o desafio de levá-lo de volta ao volante.

 

“O começo foi complicado, eu só conseguia fazer curvas para um lado. Depois fui melhorando. Hoje eu participo do campeonato estadual, do lado dos outros pilotos ‘normais’”, conta Rigon.

“O kart foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo. Melhorei muito em tudo, na resistência, na força física, nos movimentos das costas e dos braços, no equilíbrio. Eu fazia fisioterapia, mas o kart era uma coisa que eu podia fazer tudo dia. Virou um exercício. Melhorei muito brincando”, afirma.

Voltar ao volante, para ele, foi uma vitória. “Os desafios estão aí, a gente tem que superar. Todo mundo quebra a cara. Quando a gente nasceu, não sabia andar. A gente não lembra, mas caiu de cara um monte de vezes até aprender. É isso que tem que ser feito pro resto da vida”, aconselha Rigon.

“Hoje, eu sou uma pessoa muito melhor do que eu era antes do acidente. Antes eu era impaciente, estourado. Eu via pessoas de cadeiras de rodas e pensava ‘meu Deus’. Tinha horror que isso pudesse acontecer comigo. Mas aconteceu. E foi isso o que permitiu que eu desenvolvesse meu potencial”.

 

 

G1

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