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Palmeiras avança na Libertadores com DNA de Cuca e erros a corrigir

 A noite  da classificação às oitavas de final da Libertadores da América reforçou a impressão de que Cuca voltou ao Palmeiras sem ter realmente saído. Em 16 dias desde seu retorno, o treinador fez a equipe retomar movimentos que exercia no ano passado, na campanha do título nacional. O gol de Mina, o primeiro da vitória de 3 a 1 sobre o Atlético Tucumán, aos 15 minutos do primeiro tempo, foi um exemplo escancarado disso: uma jogada ensaiada à perfeição, envolvendo cinco jogadores cientes de cada ação do colega.

Repare abaixo na consciência da movimentação dos atletas. É uma cobrança de falta, e Dudu deixa a bola com Zé Roberto. Do lateral, ela parte para Guerra, enquanto Róger Guedes, acompanhado por Dudu, já parte para receber. Róger mata no peito e imediatamente aciona Mina, que manda para o gol. Nada ali foi por acaso.

O interessante é que o Palmeiras, com Cuca de técnico, fizera gols assim no Brasileirão passado. Confira, na galeria de vídeos abaixo, a semelhança com gols do próprio Mina contra o Coritiba e de Fabiano diante da Chapecoense – o gol do título.

Essa sintonia entre treinador e elenco já ficara evidente no primeiro jogo de Cuca em seu retorno, quando ele inverteu Jean e Tchê Tchê de posições e viu um gol sair logo depois, com participação de ambos, na goleada de 4 a 0 sobre o Vasco.

Nesta quarta-feira, Cuca teve mais uma aposta que logo surtiu efeito. No segundo tempo, mandou Willian a campo no lugar de Borja aos 14 minutos. Aos 23, o atacante fez o segundo gol do Palmeiras.

O problema é o que aconteceu entre os dois gols – o de Mina e o de Willian. O time alviverde permitiu que os argentinos o agredissem. Teve marcação frouxa, um meio-campo pouco agressivo e jogadores exageradamente estáticos. É um grande pecado, já que um dos principais méritos do ótimo elenco palmeirense é a capacidade de adaptação dos atletas a diferentes funções. Isso permite que eles confundam a marcação, migrem de um ponto a outro, se adaptem rapidamente a variações de funções.

Mas pouco disso foi feito, e Cuca percebeu. A ideia inicial de time, com dois volantes e três meias muito ofensivos, teve que ser desfeita – visto que o Tucumán dominava o setor. Quando colocou Willian no lugar de Borja, o treinador aproveitou para também tirar Róger Guedes e apostar em Fabiano. Com isso, Jean passou para o meio e deixou o setor mais cascudo na marcação. Trocou, a grosso modo, um 4-2-3-1 por um 4-3-2-1 – mas com Jean por vezes escapando ao ataque.

É preocupante que o Palmeiras tenha permitido 15 finalizações, duas delas na trave, em um jogo em casa contra um adversário menos qualificado (foram 18 finalizações a favor). A partida de quarta-feira foi, desde a chegada de Cuca, aquela em que Fernando Prass foi mais bombardeado. O gol argentino saiu em jogada aérea, que já havia sido um problema no jogo contra o Inter, pela Copa do Brasil.

Zé Roberto, no finzinho, ainda apareceria dentro da área adversária com seu fôlego adolescente para fazer o terceiro gol e fechar um placar confortável – que indica um aconchego que o jogo não ofereceu, embora o Palmeiras tenha perdido repetidas chances em contra-ataques bem encaixados.

Na quarta partida de Cuca, o Palmeiras alcançou a terceira vitória – a única derrota foi com reservas, para a Chapecoense. Nos quatro primeiros jogos com o novo treinador, o time finalizou menos do que nos quatro últimos de Eduardo Baptista (10,7 contra 13,2 de média). Também sofreu mais finalizações: 12 de média com Cuca e 8,5 de média com Baptista. A posse de bola também caiu: agora 52,5%, antes 56%.

Mas os números não devem ser supervalorizados nesse momento – até por compararem momentos diferentes contra adversários diferentes. Apesar do visível resgate do DNA criado no ano passado, é preciso lembrar que Cuca acabou de retornar – e que, como se fosse um desconhecido, merece tempo para ajeitar o time. Há margem para evolução, e essa não é apenas uma necessidade: é um alento.

Afinal, Cuca já mostrou que sabe fazer esse elenco crescer.

Globo.com

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