Por pbagora.com.br

Muito mais do que o reconhecimento de todos, o ouro olímpico deu a César Cielo independência e liberdade. Se antes tinha seus passos milimetricamente acompanhados pela Univerdidade de Auburn, que regulava até a vida amorosa do nadador, agora o velocista brasileiro pode sair com os amigos, namorar ou apenas ficar de pernas para o ar. Regalias de quem tem o status de medalhista olímpico. Mas engana-se quem pensa que Cielo pensa apenas em aproveitar os frutos de suas conquistas. O campeão quer mais.

 

 

Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM por telefone, o campeão olímpico dos 50m livre em Pequim falou sobre sua rotina na cidade de Auburn, nos EUA, seu prazer pela leitura, a vontade de virar um homem de negócios e a necessidade de fugir do tumulto.

 

GLOBOESPORTE.COM: Agora você divide apartamento com outros quatro nadadores nos Estados Unidos, certo?

César Cielo: No ano passado, morávamos em três. Mas depois chegaram mais dois. Ficamos em cinco: eu, um australiano (Matt Targett), um croata (Alexei Puninski), um dinamarquês (Jakob Andkjaer) e um paraguaio (Genaro Prono). Aí a casa não comportava mais todo mundo, e nos mudamos para uma bem maior. São cinco quartos e fica perto de onde a gente morava.

Como é a rotina de um grupo de jovens de origens tão diferentes morando em uma mesma casa?

Esse ano foi um pouco diferente. Eu e o croata não fazíamos mais parte da equipe da universidade, enquanto os outros três ainda são. Então, eles têm uma rotina diferente da nossa, mais pesada por causa da Liga Universitária. Nós dois temos uma liberdade maior. É até engraçado porque, às vezes, os outros reclamam porque a gente sai e chega tarde fazendo barulho.

E quem arruma a casa, faz comida? Vocês têm alguém que cuide dessas coisas?

A gente não tem ninguém não. Cada um cuida do seu quarto. Eu e o croata somos os mais organizados e somos os que mais cozinham. Um dia eu acordei de manhã e a casa estava destruída. Um time inteiro de basquete tinha vindo fazer uma festinha aqui em casa. Mas, normalmente, a casa até que é organizada. Aqui nos Estados Unidos é difícil comer saudável também. Mas eu tento comer salada e fazer um prato decente. (risos)

Você já declarou em algumas entrevistas que a sua rotina antes dos Jogos de Pequim era muito cansativa. Isso mudou, já que agora não faz parte da equipe da universidade?

Quando eu fazia parte da universidade, tudo o que eu fazia refletia. Esse ano está sendo diferente. Tenho mais liberdade, desde que eu não faça nada negativo, é claro. Dá pra levar um esquema menos tenso. Durante a semana, continua a concentração nos treinamentos, mas, no fim de semana, dá até para sair, às vezes. Mas é engraçado, agora que eu posso, eu penso mais antes de fazer as coisas, sabe? Fico preocupado.

Antes você tinha um “acordo” com a universidade de não namorar para não prejudicar o treinamento. E agora? Já pode namorar?

Agora posso. Namorada, se você procurar, acha. Mas acho que esse não é o mometo para eu namorar.

 

O que costuma fazer nas horas vagas? Recentemente, você afirmou que gostava muito de ler. Que livros tem lido?

É, gosto muito de ler, principalmente os de auto-ajuda. Sempre consigo tirar alguma coisa deles. Atualmente, estou lendo três. “O poder do subconsciente”, para tentar amenizar um pouco a tensão da temporada; “Operando no mercado de ações”, agora que ganhei um pouco de dinheiro preciso descobrir qual a melhor forma de investir; e “O Diário”, uma ficção.

Antes de voltar para os Estados Unidos, você disse que precisava se isolar novamente. Você conseguiu recuperar aquela tranquilidade que tinha para treinar antes do ouro em Pequim?

Do jeito que era antes, não tem mais como. Mas, comparando o que eu passei no último semestre no Brasil, agora está diferente. Eu sou um cara que preciso de um pouco de tranquilidade. Para mim, é importante ficar sentado no sofá sem fazer nada até 22h da noite. É claro que às vezes eu sinto falta da agitação do Brasil. Mas eu preciso ficar afastado disso, pelo menos por enquanto. Também não quero que as pessoas enjoem de mim.

Mas o Michael Phelps, por exemplo, continua sendo capas de vários jornais, revistas. Parece que não cansam dele.

Aqui nos Estados Unidos ninguém aguenta mais. A gente nem dá mais bola quando aparece uma nova notícia sobre ele. Agora surgem vários livros, boatos. Tudo o que ele faz vira notícia. Eu não quero que cansem assim de mim.

Oito meses depois dos Jogos de Pequim, em que nível você acredita estar? Quais serão seus próximos passos?

 

Eu estou um pouco mais bem condicionado que no ano passado. Acho que estou mais forte. A próxima competição será o Troféu Maria Lenk, será uma boa preparação para o Mundial de Roma. Vou aproveitar a competição também para testar o novo modelo de maiô que recebi da Arena. Vamos ver se consigo acabar de vez com essa novela.

 

 

globoesporte.com

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