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Isaquias é bronze e se torna o 5º com 2 medalhas no mesmo Jogos

 Isaquias Queiroz cruzou a linha de chegada, a canoa virou e toda a arquibancada prendeu a respiração. O baiano também. Por 40 longos segundos, ninguém sabia se o esforço do brasileiro que remava para entrar na história olímpica do Brasil iria conseguir o pódio da prova mais imprevisível da canoagem na Rio-2016.

 

Primeiro, apareceu o nome do ucraniano. Depois, do atleta do Azerbaijão. E nada do bronze. Isaquias ficou embaixo d’água, esperando por segundos que valiam por horas. Até que seu nome apareceu. A medalha de bronze fez toda a arquibancada tremer. O irmão, Lucas, chorava: você vai ganhar tudo, meu irmão, disse no microfone da arena, para o irmão ouvir.

 

Isaquias Queiroz entrou, com essa medalha, em uma lista seleta de atletas brasileiros. Em um país em que as conquistas olímpicas não são tão comuns, ele é apenas o quinto homem a conseguir subir ao pódio mais de uma vez na mesma Olimpíada.

 

O baiano foi o terceiro colocado na prova do C1-200m. Ele já tinha sido prata da C1-1000m na Rio-2016. O último a conseguir o feito tinha sido o nadador Cesar Cielo, nos Jogos de Pequim-2008, com o ouro dos 50m livre e o bronze dos 100m livre.

 

Além deles, o também nadador Gustavo Borges (prata nos 200m livres e bronze nos 100m livre em Atlanta-1996) e os atiradores Guilherme Paraense (ouro na pistola militar de 30m e bronze por equipes na pistola livre 50m na Antuérpia-1920) e Afrânio da Costa (prata na pistola livre de 50m e bronze por equipes na mesma prova de Paraense em 1920) conseguiram o feito.

 

Depois de uma largada não tão boa como nas semifinais, Isaquias se recuperou na metade da final da prova e completou a prova em 39s628. O ucraniano Iurii Cheban ganhou o bicampeonato olímpico com 39s279 e Valentin Demyanenko, do Azerbaijão, ficou com a prata com 39s493. O espanhol Alfonso Benavides Lopes de Ayala Alfonso ficou a apenas 21 milésimos de Isaquias e terminou em quarto: 39s649.

 

Mas Isaquias quer mais. O brasileiro voltará à Lagoa já nesta sexta-feira para disputar a eliminatória da C2 -1000m ao lado de Erlon Silva, prova na qual a dupla é a atual campeã mundial. Se conseguir mais uma medalha, Isaquias será o primeiro atleta do país a ter três pódios na mesma edição olímpica.

 

Isaquias Queiroz já havia entrado para a história do esporte olímpico na última terça-feira como primeiro medalhista de canoagem do Brasil. Na ocasião, ele teve uma disputa remada a remada com o alemão Sebastian Brendel e acabou em segundo na prova que considerava ter menos chances de sair com o ouro.

 

Na C1-200, especificamente, Isaquias chegou à final como um dos favoritos ao marcar o melhor tempo das semifinais. Porém, ele mesmo disse que precisou se reinventar para disputá-la, já que a largada, um de seus pontos fracos, é fundamental no curto percurso de 200 metros comparado ao de 1000 m. Ele foi bronze no último Mundial nesta mesma categoria.

 

Com a medalha de Isaquias, o Brasil chega a 13 nos Jogos do Rio de Janeiro. São três de ouro, três de prata e cinco de bronze.

 

Três pulmões
Nascido na cidade baiana de Ubaitaba, Isaquias Queiroz começou na canoagem aos 11 anos, apenas um ano depois de perder um rim em decorrência de uma queda de árvore. O próprio canoísta brinca com o passado e diz que no lugar do rim ganhou mais um pulmão para ajudar em seu fôlego nas competições.

 

Apelidado de “Três pulmões”, Isaquias teve um ciclo olímpico vitorioso e ao mesmo tempo com pequenos sustos. Ganhou dois ouros e três bronzes nos Mundiais da categoria, que poderiam ser mais se não tivesse caído da canoa nos últimos metros da categoria C1-1000m da edição de 2014. Ele liderava a prova.

 

Já em 2015, o susto foi fora das águas. O atleta capotou o carro quando voltava para a cidade de Ubaitaba. Saiu sem nenhum arranhão e continuou a sua preparação normalmente para fazer história no Rio de Janeiro.

 

UOL

 Imagem: DAMIEN MEYER/AFP

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