A investigação do Ministério Público de São Paulo sobre o "caso Héverton" cresceu, tomou outro rumo e já não se trata mais do desfecho do Campeonato Brasileiro – mas de possíveis crimes contra o sistema financeiro.
A apuração do MP-SP, que começou para tentar entender por que Héverton foi escalado contra o Grêmio na última rodada do Campeonato Brasileiro, encontrou indícios de irregularidades envolvendo o banco Banif, ex-patrocinador da Portuguesa.
Por causa disso, o caso passou a ser investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), outro braço do Ministério Público.
– Quando Manuel da Lupa assumiu a Portuguesa, o clube tinha várias dívidas e não tinha crédito na praça, não tinha como tomar empréstimos. Então o Banif, que era presidido por um integrante do conselho deliberativo da Portuguesa, passou a fazer depósitos nas contas pessoais de Manuel da Lupa e do então vice-presidente, Roberto Cordeiro. Depois de uma divisão política no clube, Cordeiro foi substituído por Luis Iaúca. Esse dinheiro, então, era repassado para a Portuguesa – afirmou o promotor Roberto Senise Lisboa, de Justiça do Consumidor, que começou a investigar o caso.
De acordo com o promotor, "essa operação casada contém indícios de eventual ilícito". E também gerou uma série de problemas internos no clube – porque os empréstimos teriam de ser aprovados pelo Conselho de Orientação Fiscal e pelo Conselho Deliberativo.
Além da Portuguesa, a promotoria descobriu que operações semelhantes eram feitas com outras empresas. E por isso passou o caso para o Gaeco.
– Nós nos deparamos com um sistema altamente qualificado de operações do Banif, que podem ter gerado um prejuízo de até R$ 600 milhões. Não estou dizendo que houve crime, mas há indícios de que tenha havido irregularidades.
Segundo o promotor, as irregularidades vão de concessão de empréstimos sem garantia, falhas em registros contábeis e pagamento de comissões acima do mercado.
Ligação com o caso Héverton é frágil
As supostas irregularidades envolvendo Banif, outras empresas e a Portuguesa têm muito pouco a ver com a escalação de Héverton na última partida do Campeonato Brasileiro. O jogador estava suspenso, a Lusa foi punida pelo STJD com a perda de quatro pontos e o clube acabou rebaixado para a Série B.
Em outras ocasiões, Roberto Senise Lisboa afirmou ter "fortes indícios" de que pessoas da Portuguesa receberam "vantagens indevidas" para que o jogador fosse escalado. Nesta sexta, o promotor falou com mais cautela sobre o caso.
– Eu acredito que pode haver alguma relação. Mas, se você me perguntar de 0 a 10, é impossível dizer se é 1 ou se é 9. Eu acho que os indícios são razoáveis.
Essa ponta da investigação passa a ser tocada por promotores da área criminal. Enquanto isso, Senise Lisboa continua cuidando da Ação Civil Pública que moveu contra a CBF – na qual pediu a devolução dos quatro pontos ao clube por conta de um suposto desrespeito ao Estatuto do Torcedor. O primeiro pedido de liminar foi negado pela Justiça de São Paulo. O promotor afirmou nesta sexta-feira que vai recorrer.
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