Por pbagora.com.br

No clássico deste sábado, no Morumbi, Keirrison será a principal atração do Palmeiras contra o São Paulo . Mas a história teve chance de ser diferente. O atacante, que agora veste verde, poderia entrar no gramado do Morumbi com a camisa tricolor para jogar o duelo paulista. Quando tinha apenas 12 anos – e ainda nem sonhava em ser o goleador apelidado de K9 -, o então menino deixou o Mato Grosso do Sul para passar por um teste no São Paulo. Como não foi aprovado, voltou para casa de mãos abanando, mas ainda com um objetivo na cabeça: brilhar no futebol.

 

A fila andou, Keirrison despontou no Cene-MS, foi lapidado no Coritiba e agora brilha. Mas quis o destino que fosse justamente no rival dos são-paulinos. Com 12 gols na competição, o artilheiro do Campeonato Paulista pode aumentar ainda mais a sua coleção de bolas na rede. Mas garante que não guarda nenhuma mágoa por ter sido dispensado pelo adversário.

 

– Na época fiquei chateado, porque queria ter ficado. Mas não guardo mágoa, de jeito nenhum, e não há revanche agora no clássico por causa disso. Mas tive que ralar muito para virar profissional. Consegui no Coritiba – contou o matador, que confessou a sua história para o Globoesporte.com.

 

Tudo aconteceu em 2001. Keirrison morava com os pais em Campo Grande e já mostrava algum talento. Um treinador da capital sul-mato-grossense, vendo o potencial do "piá", o levou até São Paulo. Viajaram mais de dez horas de ônibus até o destino. O menino chegou ao local de treinamento – na época, o São Paulo ainda não possuía o CT de Cotia e alugava um espaço do técnico de vôlei José Roberto Guimarães na cidade de Barueri, que fica na região metropolitana. O período de teste durou 15 dias. Ao final da avaliação, veio a resposta: "Não".

 

– Eu não me lembro do nome de quem trabalhava no São Paulo na época. Mas sei que o Kaká estava nos juniores. Participei de coletivos, treinei com o grupo. Não fui diretamente dispensado por alguém do clube, foi o próprio treinador que me levou que deu a notícia. Disseram a ele que naquele momento eu não poderia ser aproveitado, para tentar em outra ocasião – relatou o jogador palmeirense.

 

Para Zé Sérgio, Keirrison estava predestinado a brilhar no rival

Hoje o São Paulo não tem mais os funcionários das categorias de base do ano em que Keirrison não foi aproveitado. Toda a categoria foi reformulada quando o presidente Juvenal Juvêncio tomou posse, em 2006. O campo de Barueri não é mais utilizado pelo Tricolor, que agora conta com as modernas instalações em Cotia.

Zé Sérgio, que atualmente é um dos treinadores da base do São Paulo, já viu muitos meninos serem dispensados e depois estourarem em outros clubes, como também presenciou investimento em garotos que não vingaram. E, claro, acompanhou a trajetória de atletas que nasceram e hoje estão no time principal do clube, como os volantes Jean e Hernanes. Para ele, Keirrison estava predestinado a aparecer no Coritiba e brilhar no rival Palmeiras.
 

– Era a predestinação dele estourar no Coritiba mesmo. Se ele tivesse
sido aprovado no São Paulo poderia não estar nesta condição boa no Palmeiras. Não há como saber o que iria acontecer. De repente se ele tivesse ido ao São Paulo quando estava mais maduro talvez mostrasse outras condições e ficasse. Se fosse o Keirrison de hoje, com essa qualidade, com certeza ficaria – opinou o treinador.

O processo para aprovar um menino é bem mais complicado do que perceber se ele tem potencial. Para Zé Sérgio, uma série de fatores podem ter contribuído para que Keirrison não ficasse no Tricolor. Ele mostra o que é levado em consideração quando um menino chega para ser observado.

 

– Quando os meninos vêm por indicação, esperamos que eles mostrem tudo o que nos falaram, e nem sempre acontece. O Keirrison ficou 15 dias, é um bom período. Pode ter sido reprovado pelo tipo físico, por estar "verde", ou ainda por ter se escondido, se intimidado. Além disso, quem chega de outra cidade precisa de alojamento, e se o garoto está aquém dos que já moram no clube, não dá para arriscar. Mas não é nada pessoal, pois queremos sempre atletas de qualidade – analisou o técnico.

 

O importante é que Keirrison encontrou uma outra oportunidade e acabou conseguindo se profissionalizar, ressalta Zé Sérgio, que sabe que a história do atacante palmeirense se repete o tempo todos nas peneiras de todos os clubes do Brasil.

 

– Quantos atletas não deram certo em outras equipes e vingaram no São Paulo e vice-versa? Nem sempre dá para segurar um menino esperando que ele brilhe depois, e se você mantém um que não estoura no futuro, pode ter perdido outro melhor. Mas, no final, tudo se equilibra – completou o são-paulino.

 

Uma coisa é certa: a torcida são-paulina, que poderia estar comemorando os gols de Keirrison, não vai nem querer saber do K9 balançando a rede do Morumbi neste sábado.

 

globoesporte.com

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