Por que o Brasil tem o melhor goleiro do mundo? Há quatro anos, na Alemanha, Julio César foi um turista privilegiado, que assistiu de perto à derrocada do time de Parreira sem ter a menor interferência. Dida era o titular absoluto e Rogério Ceni seu reserva. O goleiro da Inter era o terceiro.
Julio César não era levado em consideração por ninguém: comissão técnica, companheiros, imprensa. Com um indefectível boné amarelo na cabeça, jogava no ataque nos rachões e gostava de ficar disputando com Rogério Ceni quem acertava mais a bola no travessão. Por sinal, perdeu todas para o são-paulino.
O R7 falou com quem acompanhou de perto essa mudança: o preparador de goleiros da seleção brasileira na Alemanha e aqui na África do Sul, Wendell.
– Olha, o Julio César sempre teve esse potencial dentro dele. Mas não colocava para a fora porque faltava um pouco de confiança. Como em qualquer outra profissão, o jogador de futebol precisa de conquistas, vitórias, títulos. Cada campeonato que a Inter de Milão ganhou nesses quatro anos foi trazendo mais autoestima para o Julio César. E trouxe mais prazer, mais gosto para treinar cada vez com maior empenho. O resultado não me espanta. Hoje ele está maduro. Sabe do seu potencial. E agora treina muito.
Julio César traz isso das categorias de base do Flamengo. Ele precisa estar se sentindo valorizado no grupo para se empenhar um pouco mais nos treinos. Sua personalidade forte o atrapalhou algumas vezes. Quando sentia não ter o espaço que acreditava merecer, se fechava e treinava apenas o necessário. O outro lado da moeda: ao ser elogiado e tratado de maneira diferenciada no grupo, seu futebol só cresce. Quem atesta, mais uma vez, é Wendell:
– O preparador de goleiros precisa conhecer profundamente a personalidade dos jogadores com quem está trabalhando. O Júlio César responde muito bem ao estímulo. Gosta de ser cobrado, mas também de incentivado para melhorar. Incentivo é algo fundamental para tirar o máximo dele. Mas também existe uma situação que precisa ser bem colocada. Quem escolhe o goleiro que vai jogar não é o preparador. É o técnico. Por mais que eu possa recomendar um ou outro, a palavra final é do treinador.
Aí vem à tona uma frase sempre repetida, mas coberta de verdade. O goleiro é jogador de confiança do técnico. Dida era o de Parreira na Copa de 2006. Seu reserva era Rogério Ceni. Não haveria nada que mudasse a situação. Ao perceber isso, Julio César se abateu. Nos treinamentos fazia o necessário. Estava evidente que sentia ser mais um auxiliar de preparador de Dida. Só tinha prazer nos rachões, quando mostrava toda a sua falta de habilidade no ataque.
Com o fracasso do time de Parreira, Julio se dedicou onde era valorizado: na Inter de Milão. Treinou demais e o time foi se fortalecendo. A passagem de José Mourinho também foi fundamental para os títulos mais importantes. Além de seu conhecimento tático, a prepotência e autoconfiança do treinador contaminaram a todos. Inclusive Julio César. A firmeza com que orienta seus zagueiros, cobra juízes e intimida adversários não eram características dele quando atuava pelo Flamengo.
Sobram elogios
Para Taffarel, campeão do mundo em 1994 e observador da seleção, que colaborou nos últimos dias nos treinos dos goleiros, o torcedor brasileiro pode ficar tranqüilo com seu camisa 1.
– Tudo o que viveu acabou por fortalecê-lo. É fácil perceber o quanto Julio César está forte, confiante. Sabe o que faz. Onde precisa melhorar. Se conhece profundamente. O resultado é excelente para ele, mas principalmente para o time que o tem no gol. Fora o entrosamento que tem com o Maicon e o Lúcio na Inter, e com o Juan na seleção. O brasileiro pode ficar tranquilo nesta Copa. O Brasil tem o melhor goleiro do mundo.
Wendell, com longo tempo de trabalho na seleção, concorda, mas deixa a brincadeira no ar.
– É um dos melhores goleiros do mundo. Não vou falar o melhor porque aí ele já fica se achando. Um dos melhores.
O reserva Gomes, por sua vez, admite que vai ser um espectador privilegiado na Copa.
– Orgulho define bem o que eu e o Doni sentimos aqui na seleção. Estamos treinando ao lado do melhor goleiro do mundo. Disputando posição, não. Treinando. A posição é dele. Por merecimento.
R7
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