Por pbagora.com.br

A vitória do Palmeiras por 1 a 0 sobre o Atlético-PR, no jogo de ida pelas oitavas de final da Copa do Brasil, foi ofuscada pela confusão entre os zagueiros Manoel e Danilo. O primeiro, atleta do Furacão, deixou o Palestra Itália na noite desta quinta-feira acusando o alviverde de racismo, isso depois de os dois terem se estranhado e trocado agressões no primeiro tempo. Em uma disputa de bola, Manoel teria dado uma cabeçada em Danilo, que revidou cuspindo no rosto do adversário. Em seguida, teria sido chamado de "macaco" – poucos momentos antes, o atleta palmeirense se desentendeu com Manoel e o ofendeu com a frase "seu macado do c******", lance captado pela transmissão da partida. O jogador rubro-negro, por sua vez, admitiu na coletiva ter dado um pisão em Danilo num lance posterior.

 

Manoel e o diretor de futebol do Furacão, Ocimar Botelho, deixaram o estádio diretamente para o 23º Distrito Policial, no bairro das Perdizes, para registrar um boletim de ocorrência – chegaram às 22h30m e deixaram o local à 0h40m. De acordo com o clube paranaense, apenas o seu departamento jurídico se pronunciará sobre o caso – o atleta rubro-negro saiu pela porta dos fundos do DP, mas sem falar com a imprensa.

 

Danilo foi enquadrado no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal – "Injúria qualificada por racismo". A pena prevista varia de um a três anos de prisão. O jogador palmeirense não compareceu à delegacia. Segundo o delegado Percival Alcântara, situações como essa normalmente são resolvidas com um acordo, mas o clube paranense não admite essa hipótese. Bolicenho, confirmou a versão do seu jogador e disse que todas as medidas cabíveis serão tomadas.

– Ele não só cuspiu na cara do Manoel, com também o chamou de macaco. Esse rapaz sempre que joga contra o Atlético tem atitudes estranhas – disse o dirigente, lembrando que Danilo já vestiu a camisa do Furacão. – Vamos até as últimas consequências. É inadmissível uma coisa assim acontecer nos dias de hoje.

 

O defensor palmeirense deixou o campo dizendo que havia acontecido um "lance normal de jogo". O atleticano, por sua vez, afirmou primeiramente que a reação de Danilo – com Manoel caído no gramado após a cusparada – foi falar "levanta, seu macaco". Ou seja, teria sido ofendido duas vezes. Além da acusação, não negou ter pisado propositalmente no palmeirense.
 

– Ele cuspiu em mim e depois me chamou de macaco. Isso é a pior coisa que poderia fazer – disse Manoel, durante a entrevista pós-jogo, confirmando que depois acabou revidando com um pisão. – Sim, e não me arrependo do que fiz. Depois do que ele disse para mim, pisaria de novo.

Danilo deixou o estádio palmeirense sem falar com a imprensa. Savério Orlandi, diretor de futebol do Palmeiras, disse que conversou com o atleta nos vestiários, logo depois da partida. O dirigente afirmou que viu o lance da cusparada pelas imagens da TV e que, a partir desta sexta-feira, já começará a armar a defesa do camisa 23. Sobre as ofensas a Manoel, Orlandi afirmou que o zagueiro palmeirense, negou qualquer tipo de agressão verbal.

– Assisti ao lance na TV e acredito que o Paulo Schmitt (procurador geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva) pedirá as imagens (pela cusparada). Quanto ao racismo, conversei com o Danilo, e ele negou. Estão tentando criar um clima de animosidade para a próxima partida, sendo que a decisão da vaga ainda está aberta – explicou Orlandi.

 

Zago se esquiva de nova polêmica sobre racismo

O técnico Antônio Carlos Zago procurou evitar comentários sobre o caso. Em 2006, quando ainda jogava e defendia o Juventude, ele foi suspenso por ofensa de racismo contra o volante Jeovânio, do Grêmio. Na época, recebeu punição por um gesto que fez ao sair de campo, após ser expulso.

– Não sei o que aconteceu, então é difícil falar alguma coisa. Vamos ver amanhã (sexta-feira) o que pode ter acontecido e aí sim tomar uma posição. O mais importante foi a demonstração de empenho dos jogadores, em relação aos jogos passados, para conseguir a vitória – despistou Zago.

 

Racismo também na Argentina

 

Ainda nesta quinta, pelo Torneio Clausura argentino, o zagueiro colombiano Breyner Bonilla, do Boca Juniors, afirmou que o atacante Esteban Fuertes, do Colón, o ofendeu de forma racista durante a partida entre as duas equipes. Fuentes teria chamado Bonilla de "negro de m…" e "morto de fome". O colombiano, que faz dupla de zaga com o brasileiro Luiz Alberto, também negro, chegou a chorar ao relatar o problema em entrevista de TV.

G1

 

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