Aos 35 minutos do segundo tempo no estádio Delle Alpi, em Turim, Maradona botou o meio campo do Brasil no bolso e, de pé direito, encontrou Claudio Caniggia livre na área. O atacante driblou Taffarel, empurrou para a rede e selou a vitória argentina nas oitavas de final daquela Copa do Mundo. Não se sabe se é praga de brasileiro, mas de lá para cá foram duas décadas do mais puro sufoco para os hermanos nas fases decisivas dos Mundiais. Há 20 anos, os argentinos só conseguem avançar no mata-mata se for na prorrogação ou na disputa de pênaltis.
Das quartas de 1990 às de 2006, foram oito confrontos: uma vitória na prorrogação (justamente contra o México, adversário deste domingo), três nos pênaltis, e quatro eliminações, sendo uma também nos tiros da marca fatal. Veja abaixo como foi cada um desses jogos:
1990
Quartas de final – 0 a 0 contra a Iugoslávia, vitória por 3 a 2 nos pênaltis
Mesmo empolgada após despachar o Brasil nas oitavas, a Argentina não conseguiu sair do 0 a 0 com a Iugoslávia em Florença. Nos pênaltis, para aumentar o drama, o gênio Maradona perdeu o seu. Mas os hermanos, treinados por Carlos Bilardo, tinham embaixo das traves o milagreiro Goycochea, especialista nessas decisões. Ele pegou dois e garantiu a vitória por 3 a 2.
Semifinais – 1 a 1 com a Itália, vitória por 4 a 3 nos pênaltis
O sufoco argentino foi ampliado nas semis, quando o artilheiro Schillacci abriu o placar para a Itália aos 17 do primeiro tempo, e o empate só veio aos 22 do segundo. Com o 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, mais uma decisão nos pênaltis. Desta vez Maradona fez o dele, e Goycochea voltou a pegar dois.
Final – derrota por 1 a 0 para a Alemanha
Na decisão, o goleiro argentino não repetiu os feitos heroicos. Aos 40 minutos do segundo tempo, quando o jogo contra a Alemanha se arrastava em 0 a 0, Andreas Brehme bateu o pênalti, e Goycochea não conseguiu segurar. Os europeus venceram por 1 a 0 e foram campeões.
1994
Oitavas de final – derrota por 3 a 2 para a Romênia
Classificada em terceiro lugar, após um empate triplo com Nigéria e Bulgária, a Argentina pegou nas oitavas a Romênia de George Hagi, um dos destaques da Copa nos Estados Unidos. O craque marcou um dos gols no movimentado 3 a 2 que eliminou os sul-americanos.
1998
Oitavas de final – 2 a 2 com Inglaterra, vitória por 4 a 3 nos pênaltis
Em um dos melhores jogos da Copa da França, com direito a expulsão do astro David Beckham, argentinos e ingleses empataram em 2 a 2, com os quatro gols marcados ainda no primeiro tempo. Nos pênaltis, o goleiro argentino Roa pegou dois, e os hermanos só perderam uma vez, com o atacante Crespo. No sufoco, passaporte garantido para as quartas de final.
Quartas de final – derrota por 2 a 1 para a Holanda
A tensão dos argentinos durou até o último minuto nas quartas, quando o holandês Dennis Bergkamp recebeu longo lançamento, invadiu a área e fez um belo gol. Era o fim do sonho argentino no estádio Velodrome, em Marselha.
2006
Oitavas de final – 1 a 1 com o México, 1 a 0 na prorrogação
Após ficar fora do mata-mata em 2002, a Argentina voltou às oitavas em 2006 para enfrentar o México, adversário deste domingo no Soccer City. Com Messi no banco, os hermanos viram Rafa Márquez abrir o placar logo aos seis minutos, e lá estava o drama presente outra vez. Crespo empatou aos 10, mas o 1 a 1 persistiu no tempo normal. Na prorrogação, gol heroico de Maxi Rodríguez, que também estará em campo em Joanesburgo.
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