Trinta anos depois, a polêmica permanece. Pelo menos três clubes, entre eles, o Treze, brigam para saber quem de fato, sagrou-se campeão da Série B de 1986. O torcedor passa pelo portão de acesso, sobe alguns degraus e se vê na arquibancada do Estádio Presidente Vargas, em Campina Grande, a casa do Treze, se depara com os seguintes dizeres: "Campeão Brasileiro de 1986 da Série B" . So que no Estádio Lacerdão, em Caruaru, a casa do Central, a faixa de "Campeão Brasileiro Série B – 1986" , também chama a atenção. O Internacional de Limeira e Criciúma também também podem reivindicar o título nacional.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não reconhece nenhum deles e garante que não existe um campeão brasileiro da Série B daquele ano. A CBF não reconhece o campeão do chamado Torneio Paralelo da CBF, que substituiu a então Taça de Prata e que tinha um formato para lá de controverso.
A competição era dividida em quatro chaves com nove equipes cada, e os vencedores de cada grupo subiriam para a Série A: no caso, Treze, Central de Caruaru, Inter de Limeira e Criciúma. Nunca houve uma fase final entre estes quatro, e por isto a CBF não considera nenhum dos quatro como campeão. A primeira divisão com a participação dos quatro, inclusive, foi realizada naquele mesmo ano, mas só terminou em março de 1987 com o título do São Paulo.
Mesmo assim, o Galo da Borborema e a Patativa pintaram o título nos seus muros e brigam pelo reconhecimento, mesmo que não seja exclusivo.
Em nota, a CBF afirmou que “os quatro clubes mencionados não são considerados campeões da Série B de 1986:
"A fórmula adotada naquele ano não previa a definição de um ou mais campeões no ápice da competição. Em 1986, os times em questão terminaram a Série B do Campeonato Brasileiro como líderes de seus respectivos grupos e conseguiram a classificação para a 2ª fase da Série A do mesmo ano. O correto seria mencionar o mérito de 1986 como ‘Classificação à Série A’”, explica.
Mesmo sem o reconhecimento, Treze ou Central não vão apagar os dizeres de seus estádios. Muito pelo contrário. As diretorias dos dois clubes pretendem lutar nos tribunais para conseguir essa estrela na camisa. Para o presidente do Treze, Petrônio Gadelha, é, inclusive, uma questão de honra.
Severino Lopes
PB Agora
