O estímulo à leitura e escrita nas unidades socioeducativas da Fundação Desenvolvimento da Criança e do Adolescente “Alice de Almeida” (Fundac) vem gerando bons frutos no processo de ressocialização de adolescentes e jovens. Em menos de um mês, um socioeducando da unidade recebeu premiação em dois concursos: de poesia, durante Festival organizado pela Rede de Proteção Integral à Criança e Adolescente (REMAR) e Rede Interinstitucional de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes da Paraíba (REDEXI) e, nessa última semana, de redação, no 6º Concurso SICREDI Evolução.

Segundo Hilka Macieira, coordenadora pedagógica do Centro Educacional do Jovem – CEJ, durante o concurso do SICREDI, o aluno dissertou sobre o tema proposto: “A cooperação como fator de desenvolvimento do homem na sociedade”, e fez uma ótima redação. O socioeducando concorreu com estudantes de todo o estado da Paraíba, e ficou em segundo lugar. A premiação aconteceu na última sexta-feira (8), no Teatro Pedra do Reino, quando foi contemplado com um notebook.

O mesmo jovem, no dia 18 de outubro, havia conquistado o 1º lugar na categoria “poesia”, no concurso da Remar e REDEXI 2019, e foi premiado junto a mais três internos, dois do CEJ (João Pessoa) e um do Centro Educacional do Adolescente – CEA (Sousa), classificados entre os cinco melhores trabalhos nas categorias de poesia, redação e desenho.

Rafael Honorato, coordenador do eixo Educação da Fundac (DITEC) acredita que a busca de iniciativas para incentivar, promover e fortalecer a escrita através de órgãos e instituições parceiras é de fundamental importância para essas conquistas. “Do Litoral ao Sertão vem sendo feito um trabalho de incentivo junto com as Escolas Cidadãs Integrais Socioeducativas e os adolescentes e jovens têm conseguido alcançar excelentes colocações. Neste ano, tivemos muitos concursos voltados, especificamente, para o público socioeducativo. Queremos continuar criando essas possibilidades”, disse.

“A equipe da Escola Cidadã Integral Socioeducativa está muito atenta a esses concursos. A gente credencia a Escola e faz essa busca dos talentos que temos nas unidades socioeducativas. No momento, estamos trabalhando muito essa questão de concurso com socioeducandos do CEJ, no entanto, a nossa pretensão é ampliar para as demais unidades”, disse Tatiana Pinangé, lembrando que a instalação das bibliotecas, nas unidades socioeducativas, veio contribuir ainda mais com a evolução dos internos, tanto na leitura quanto na escrita.

“A Escola acredita que nesse processo de ressocialização, participar dessas atividades ressignifica a internação de socioeducandos. Mostra para eles que estão privados de liberdade, mas não estão privados de direitos, como os alunos que estão em outras escolas. Em 2020, nossa meta é potencializar isso, por que acreditamos que a participação desses meninos lá fora é muito importante”, disse Tatiana Pinangé, diretora da Escola Cidadã Integral Socioeducativa.

Sobre a oportunidade de treinar a leitura e a escrita dentro das unidades socioeducativas, o jovem disse que a leitura abre a mente. “Lendo, podemos aprender muitas coisas e viajar para outros cantos sem sair do lugar”. Com relação à premiação nos dois concursos, o socioeducando comentou: “ganhar dois prêmios é ganhar oportunidades e isso é uma coisa boa na minha vida”.

PB Agora

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