Uma atividade diferente e fora do convencional da sala de aula. Na culminância do “Setembro Amarelo”, campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, estudantes de Psicologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) puderam expressar suas angústias, afetos, tensões, incertezas, ansiedade e demais sentimentos, na roda de conversa “Saúde Mental em Tempos de Suicídio”, organizada por um grupo de professores do Departamento de Psicologia e alunos do Centro Acadêmico do Curso.

A atividade reuniu cerca de 60 pessoas e foi realizada em uma das salas do Departamento. Estudantes e professores debateram sobre os problemas emocionais que afetam a humanidade e têm levado muitas pessoas a cometerem atos extremos contra sua própria vida. No início, a canção “What A Wonderful World” (Que mundo tão maravilhoso), de Louis Armstrong, interpretada em voz e violão pelo aluno Joel Lima, ajudou na reflexão e tornou o ambiente propício ao desabafo. Toda a atividade, foi conduzida pelos professores e psicólogos do curso, Edvan Gonçalves da Silva, Emily Souza Gaião e Juliana Gama. Na sala vizinha, a psicóloga clínica Thaís Guedes, se colocou a disposição para ouvir os alunos.

Inicialmente, os futuros psicólogos fizeram um momento de introspecção. Sentados no chão ou deitado, buscando a posição mais confortável, eles compartilharam alguns dos seus sentimentos e problemas emocionais que atualmente enfrentam, mas têm dificuldade de expressar em palavras. Para realizar a atividade, os psicólogos envolvidos na iniciativa junto com o Centro Acadêmico colocaram em prática o projeto “Deposite”, no qual os estudantes depositaram em caixas espalhadas pelo Departamento de Psicologia, batizadas de “caixa dos afetos”, mensagens relacionadas aos seus problemas emocionais.

O trabalho foi sigiloso e para realizá-lo os professores passaram uma semana recolhendo as mensagens dos alunos. Ao término, eles preservaram os nomes dos autores das frases, tendo revelado na roda de conversa apenas o resultado da experiência. A partir do conteúdo colhido nas caixas, foi aprofundado o debate em torno da saúde mental dos estudantes. Edvan Gonçalves ressaltou que a experiência foi riquíssima e possibilitou aos alunos trazer à tona problemas como estresse, ansiedade e depressão.

Aos professores foi possível identificar aspectos a serem trabalhados na UEPB. “Nosso trabalho foi no sentido de acolher e dialogar sobre a saúde dos estudantes na Universidade. Foi um trabalho mais de estudar. Nesse processo, nós procuramos debater sobre as potencialidades em saúde mental que precisamos trabalhar no dia a dia para promover o bem-estar”, destacou.

Envolvida no projeto, a professora Juliana Gama destacou que setembro foi apenas um mês de alerta sobre a necessidade de prevenir o suicídio, mas a preocupação com a temática persiste. Ela ressaltou que a UEPB e, particularmente, o Curso de Psicologia têm a missão de continuar pensando sobre a valorização da vida e as dores que afetam todos ao longo do percurso.

Para a psicóloga, o mundo é muito exigente e cria situações para favorecer doenças psíquicas e tornar as pessoas com extrema dificuldade de controlar suas dores. Ela observou que o reconhecimento de que “não somos tudo, nem temos tudo” dói muito, principalmente por meio das redes sociais. “Estamos cada vez mais desaprendendo a lidar com as faltas, com as perdas e com o não ter e como não ser. De repente, quando a gente se vê impotente diante de algo que está faltando, nos sentimos sem força. O discurso posto é de algo inalcançável e muitos desistem”, ilustrou.

Já a professora Emily Souza Gaião alertou para os efeitos das redes sociais e mostrou que muitas vezes a tecnologia passa uma imagem que não reproduz a realidade da vida das pessoas. As dores e angústias são escondidas por trás das fotos e mensagens publicadas nas mídias sociais. Estudante do 9º período e integrante do Centro Acadêmico, Sara Pereira Morais, observou que os profissionais de Psicologia estão sujeitos a sofrerem com os problemas de saúde mental. Ela destacou a necessidade dos estudantes se prepararem para encarar a realidade futura nas clínicas.

“Vivemos tempos complicados. Percebemos que está havendo uma epidemia de casos de suicídio. Por isso é importante trazer essa discussão para dentro do Departamento, para a gente se cuidar e tratar dessas questões, para poder auxiliar outras pessoas”, observou Sara, acrescentando que, inevitavelmente, os psicólogos absorvem os sentimentos e as dores dos pacientes, sendo necessário se cercar de todo o cuidado.

A coordenadora do curso, professora Laércia Maria Bertulino de Medeiros, disse que o Departamento de Psicologia tem se preocupado muito com a temática ao longo de todo o ano. Ela lembrou que o Curso de Psicologia realiza diversos projetos de extensão voltados para as doenças mentais, que abrangem desde a Escuta Psicológica até o trabalho psicoterapêutico.

assessoria

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