(Pixabay/Reprodução)
O impasse salarial nas negociações da data-base dos professores da rede privada de Campina Grande tem gerado preocupação na categoria e acendido um alerta sobre o futuro da educação no município. A avaliação é do professor Leônidas Mendes, representante sindical, que denuncia a falta de avanço no diálogo com o setor patronal.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Caturité FM, nesta segunda-feira (27), o sindicalista afirmou que as tratativas têm sido marcadas por dificuldades, mesmo após várias rodadas de negociação.
Segundo Leônidas, os professores reivindicam um reajuste de 12% para quem recebe até o piso, além da reposição inflacionária com ganho real proporcional ao aumento das mensalidades. No entanto, a proposta apresentada pelo sindicato patronal ficou muito abaixo do esperado.
“A categoria pede 12% de aumento para quem ganha até o piso, mas a proposta apresentada foi de apenas R$ 0,31 de reajuste. Hoje, o valor médio da hora-aula gira em torno de R$ 11,50”, criticou.
O representante também destacou a desvalorização da profissão e os impactos disso no futuro da educação. Segundo ele, o desinteresse pela carreira já é visível.
“Quem quer ser professor hoje? Estamos próximos de um apagão de professores”, alertou.
Leônidas apontou ainda que a baixa remuneração tem provocado escassez de profissionais qualificados e até desvios de função nas escolas.
“Há engenheiros lecionando matemática e engenheiros químicos ensinando biologia, o que mostra a falta de professores formados e a ausência de perspectivas na carreira”, disse.
Atualmente, cerca de 8.500 docentes atuam na rede privada da cidade, mas o baixo nível de sindicalização ainda dificulta o fortalecimento das negociações.
De acordo com ele, o salário médio dos professores gira em torno de R$ 1.600, valor considerado incompatível com as exigências da profissão.
Apesar do cenário, o sindicato afirma que segue aberto ao diálogo. Uma nova rodada de negociação está prevista para a próxima quarta-feira, após cinco tentativas sem acordo.
“Estamos dispostos a dialogar onde for necessário, seja na sede do sindicato, na Delegacia do Trabalho ou na Justiça do Trabalho”, concluiu.
Redação
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