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IFPB realiza escutas nos campi sobre criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano

Foto: DGCOM do IFPB

O Instituto Federal da Paraíba (IFPB) realizou mais uma rodada de visitas para ouvir a comunidade sobre o projeto que prevê a criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano
(IFSertãoPB). Os encontros buscam escutar a sociedade, os servidores e os estudantes
diretamente impactados pela possível criação de uma segunda unidade da Rede Federal
de Educação Profissional, Científica e Tecnológica no estado.
As reuniões foram realizadas entre os dias 3 e 5 de fevereiro, contemplando os campi
Soledade, Monteiro, Princesa Isabel e Itaporanga. Em todas as visitas, os representantes
do Grupo de Trabalho (GT) instituído pelo Colégio de Dirigentes (Codir) do IFPB fizeram
um histórico sobre a Rede Federal na Paraíba, apresentaram informações sobre a
proposta de criação do IFSertãoPB e registraram dúvidas e contribuições da comunidades
acadêmica.

Coordenadas pelo eixo “Comunicação, Transparência e Escuta Social” do GT, as escutas
nos campi visam ouvir aqueles que serão diretamente afetados pela mudança. O grupo
tem a finalidade de propor elementos para subsidiar a discussão sobre o tema e, após o
diálogo com a comunidade, elaborará um relatório propositivo. O material será enviado ao
Ministério da Educação para auxiliar na regulamentação da possível nova instituição de
ensino na Paraíba.

De acordo com o presidente do grupo de trabalho, Anderson Silva, os encontros têm
como objetivo reunir os resultados das escutas feitas com a comunidade acadêmica e a
sociedade. A iniciativa mapeia e sistematiza dúvidas, sugestões e preocupações sobre a
possível criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano.

“Tudo o que está sendo ouvido nos campi será analisado com responsabilidade no GT e
servirá de base para os encaminhamentos institucionais junto ao Ministério da Educação,
por meio da Setec, respeitando o papel de cada instância no processo. Nosso
compromisso é garantir que a voz da comunidade seja considerada de forma organizada
e transparente”, destacou.

Na segunda rodada de encontros, o pró-reitor de Ensino, Neilor César, representando a
reitora Mary Roberta Meira Marinho, defendeu que a possível criação do IFSertãoPB
ocorra sem ruptura institucional. “Sempre destaquei a relevância de uma transição sem
mudanças bruscas. A criação não pode ser abrupta”, afirmou.

Segundo Neilor, os processos administrativos e pedagógicos devem ser pautados pelo
diálogo para que a mudança ocorra da melhor forma. Ele ressaltou que a unidade entre
os campi é essencial. “É preciso considerar o tempo necessário para que a nova
instituição caminhe com suas demandas de maneira segura, sem impactar as rotinas em
andamento”.
O pró-reitor classificou os debates com a comunidade como fundamentais diante da
tramitação do projeto no Congresso Nacional. “Ouvir os anseios, as preocupações e as
dúvidas foi marcante para construir um processo com tranquilidade, apesar da
complexidade do tema”, concluiu.

Tramitação – A proposta original de criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano,
apresentada como Projeto de Lei (PL) nº 1/2026, passou a integrar o PL 5.874/2025 no
dia 3 de fevereiro. Na mesma data, o novo texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados
e agora aguarda envio ao Senado Federal. Caso seja aprovado sem alterações, seguirá
para sanção da Presidência da República.

Um dos pontos mais debatidos nas reuniões é a mobilidade dos servidores. O prazo de
dez anos para remoção foi incluído no texto após articulação da reitora do IFPB com o
relator da matéria na Câmara, deputado Átila Lira (PP-PI).

Escutas nos campi revelam anseios da comunidade

Em Soledade, a reunião ocorreu na terça-feira (3). O grupo de trabalho apresentou os
principais pontos do projeto e sanou dúvidas sobre os impactos administrativos e
acadêmicos da possível criação do novo instituto. O foco principal foi a mobilidade dos
servidores que hoje atuam no Sertão.

O diretor-geral do campus Soledade, Luciano Pacelli, classificou a aprovação do Projeto
de Lei que cria o IFSertãoPB na Câmara dos Deputados como um momento histórico.
“Sabemos que esse projeto ainda tramitará no Senado, mas estamos otimistas, pois

representa um grande ganho para todo o Sertão paraibano”.
No campus Monteiro, o encontro foi realizado na tarde de quarta-feira (4), na biblioteca.
Foram discutidos temas como mobilidade de servidores, códigos de vagas, concursos,
eleição para diretores-gerais e a manutenção de eventos organizados pelo IFPB. O
orçamento, especificamente o custeio anual das atividades, também foi alvo de atenção.

A visita do grupo de trabalho foi importante para ouvir os anseios e as sugestões da
nossa unidade”, afirmou Abimael Silva, diretor-geral do campus Monteiro e integrante do
GT. “Trata-se da criação de uma autarquia para uma região que clama pelo fortalecimento
da instituição”. Para ele, o projeto deve estar em harmonia com as demandas locais:
“Essa caravana é fundamental para coletarmos sugestões valiosas e construirmos uma
proposta sólida que atenda a todos e fortaleça, cada vez mais, a nossa instituição.
Futuramente, duas instituições”.

Em Princesa Isabel, a escuta teve participação expressiva de estudantes, servidores
técnico-administrativos e professores. Representantes de prefeituras da região também
compareceram, demonstrando interesse nos desdobramentos da criação do IFSertãoPB
para os municípios do entorno. O encontro, realizado na quinta-feira (5), ocorreu no
restaurante estudantil, que ficou lotado.
Para a diretora-geral do campus, Jordânia de Lucena, a possível criação do novo instituto
potencializa o desenvolvimento da região. “É uma construção que trará educação de
qualidade para este território e proporcionará crescimento econômico”, afirmou. “Além da
expansão regional, nossa grande preocupação é com os servidores. Devemos agradecer
ao trabalho conduzido pelo professor Anderson Silva, presidente do GT, por ouvir esta
comunidade”.

Ainda no dia 5 de fevereiro, ao fim da tarde, a reunião ocorreu no campus Itaporanga,
exclusivamente com a presença de servidores. A exemplo das escutas anteriores,
predominaram temas como mobilidade, concursos, investimentos e custeio.

“Em minha concepção, o Instituto Federal do Sertão Paraibano trabalhará para diminuir as
desigualdades sociais regionais existentes na Paraíba”, afirmou Ridelson Farias, diretor-
geral do campus. “É importante receber essa comissão.Tenho certeza de que o que foi
discutido aqui pautará os encontros da reitora em Brasília”. Ele classificou a data como

um “marco para a unidade”, visto que Itaporanga deve fazer parte do novo instituto.
Estudantes e servidores participam ativamente dos encontros
As reuniões de escuta realizadas pelo IFPB são marcadas por amplo diálogo e
participação ativa da comunidade acadêmica. Estudantes, técnicos administrativos e
professores acompanham com atenção as apresentações do grupo de trabalho e não
hesitam em expor dúvidas ou mesmo críticas à proposta de desmembramento do Instituto
Federal da Paraíba para dar origem ao IFSertãoPB.

No campus Princesa Isabel, os protagonistas foram os estudantes. Além do momento
coletivo de escuta, eles solicitaram um segundo momento com o grupo de trabalho do
Codir, para entender detalhes da possível implantação do novo instituto. Maíra Pereira,
aluna do terceiro ano de informática, incentivou a participação dos colegas, mas
demonstrou cautela.
“Enquanto estudante do interior, acho que é uma ação que deve ter mais planejamento,
que está sendo muito acelerada”, declarou. “Acredito que, neste momento, não estamos
prontos para a divisão entre IFPB e IFSertãoPB”. Para ela, a união das vozes dos alunos
é o que definirá o que é melhor para a instituição.

Já o estudante Gustavo Luiz, também de edificações, avalia a decisão como “precipitada”
e questiona o impacto orçamentário. “O IFPB já tem uma demanda financeira que não
atinge 100% das necessidades estudantis. Minha dúvida é se, ao migrar para o
IFSertãoPB, haveria recursos para atingir as expectativas dos alunos e complementar
editais de tecnologia, pesquisa e extensão”, pontuou.

Maria Letícia da Silva, do curso técnico de edificações, defende que a possível criação de
um novo instituto leve em consideração as pautas da comunidade. Tem de ser pensado
com calma, pois é uma transformação muito grande”, disse. Ela também comentou sobre
a iniciativa do GT. “Como uma participante da comunidade acadêmica, acho que foi de
extrema importância essa reunião”.

Para o professor de informática Wanderley Júnior, do campus Soledade, as reuniões são
esclarecedoras. “O grupo tem feito um trabalho transparente e sanou todas as dúvidas”,
afirmou. Sobre o desmembramento, o docente diz acreditar que haverá desafios, mas se
diz esperançoso de que o processo ocorra “dentro dos conformes”.

A professora de educação física Jéssica Mota, do campus Itaporanga, também defende o
diálogo. “Assim podemos ver as possibilidades e a melhoria da nossa comunidade na
divisão da instituição”, disse.

PB Agora com DGCOM do IFPB

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