Por pbagora.com.br

O Instituto Federal da Paraíba indicou estudantes bolsistas de dois projetos de Iniciação Científica (PIBIC) e três de Iniciação Tecnológica (PIBITI) para o Prêmio Destaque CNPq. A premiação nacional reconhece os melhores bolsistas analisando os relatórios e o perfil de participação nos projetos. O trabalho das equipes se destaca pela grande contribuição à sociedade por meio das ações desenvolvidas.

Cada estudante pode receber até R$ 7 mil, bolsa de mestrado ou doutorado, passagem e hospedagem para a 73ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A SPBC, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e sete representantes da comunidade científica e tecnológica indicados pelo CNPq são os responsáveis por avaliar as indicações.

Independentemente de vencedores, a Pró-Reitoria de Pesquisa Inovação e Pós-Graduação (PRPIPG) do IFPB já comemora as indicações realizadas pelos comitês institucionais dos programas de pesquisa. Para o Diretor de Pesquisa da PRPIPG, Francisco Dantas Nobre Neto, a indicação é um “reconhecimento ao trabalho bem feito, à dedicação e ao esforço dos pesquisadores discentes e docentes do IFPB”. São analisados os projetos ativos no período de 1º de agosto de 2019 a 31 de julho de 2020. A comemoração também veio da coordenadora de Bolsas, Márcia Oliveira Alves.
No PIBIC, na área de conhecimento de Ciências Exatas, da Terra e Engenharias, a indicação veio do projeto de pesquisa “Recursos Visuais para o Aprendizado de Alunos Surdos”, do Campus João Pessoa, coordenado pela professora Andréa de Lucena Lira. A bolsista indicada foi a estudante de Licenciatura em Química, Ana Karolina Vieira de Lima Guedes. O desafio do projeto era produzir materiais didáticos em vídeo com a transcrição em Língua Brasileira de Sinais (Libras) tornando conhecimentos educativos em Química acessíveis ao público surdo, além de estabelecer sinais específicos para os
conceitos da área de química.

A equipe produziu e disponibilizou quatro videoaulas no Youtube para “preparação” de “Vestibulandos Digitais” do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O projeto tem na equipe a aluna voluntária Júlia Maria Soares Ferraz, as professoras de Libras Regina de Fatima Freire Valentim Monteiro e Katia Michaele Conserva, as tradutoras e intérpretes de Libras, Ravena Vasconcelos e Tamara Pereira da Silva Machado e o Técnico em audiovisual Marcos Vasconcelos Paiva. Os vídeos tiveram mais de 2000 visualizações. Na página do campus João Pessoa no YouTube é possível
acessar os vídeos.

“Foi uma honra participar do projeto com a professora Andréa, principalmente pela experiência que adquiri para a minha futura profissão de docente. O projeto de videoaulas de química para alunos surdos foi integrador, e teve uma equipe múltipla, desde professores de Química, alunos do curso, intérpretes e a participação de alunos surdos. E isso trouxe uma bagagem riquíssima para minha experiência enquanto licencianda. Além de ser voltado para o público surdo, o que me proporcionou uma rica experiência para trabalhar o ensino inclusivo em trabalhos posteriores”, declarou a estudante Karolina. Ela se disse impressionada pela indicação ao Prêmio do CNPq “e ao mesmo tempo grata, porque o IF proporcionou essa experiência a nossa equipe”.

Atualmente, Karolina é bolsista do Programa de Residência Pedagógica.

Ainda no PIBIC, na área de Ciências da Vida, foi indicada a estudante da graduação em Agroecologia do Campus Picuí, Ana Karoliny de Assis Medeiros, bolsista do projeto “Concentração e acúmulo de nutrientes em mudas de maracujazeiros amarelo e roxo irrigadas com águas salinas e uso de urina oxidada de vaca”, coordenado pelo professor José Lucínio de Oliveira Freire.

Ele elogiou o senso de compromisso e responsabilidade da aluna, mesmo com as limitações impostas pela pandemia durante o projeto, que era continuidade de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Agroecologia.

O projeto objetivou determinar os teores e o acúmulo de macronutrientes na fitomassa seca foliar de mudas de maracujazeiros amarelo e roxo irrigados com águas salinas e uso de urina oxidada de vaca como fertilizante em cobertura. O material coletado foi preparado no Laboratório de Solos do campus Picuí do IFPB e analisado na UFPB, no campus Areia. Parte dos resultados obtidos foram publicados no periódico Revista Nativa e outras variáveis devem ser analisadas no TCC de Ana Karoliny, que está no último semestre do curso de Agroecologia.

No PIBITI, para Ciências Exatas, da Terra e Engenharias, foi indicado o estudante Hiago Aristides da Silva, participante do projeto “Avaliação do Equilíbrio e da Cinética de Adsorção de Metal Pesado (Pb2+) em Resíduo do Endocarpo do Fruto do Cajá (Spondias mombin L.) para Tratamento de Efluentes Aquosos”. Hiago é estudante da Licenciatura em Química, bolsista do Campus Sousa, coordenado pelo professor Antonio José Ferreira Gadelha, que tem na equipe os alunos José Manuel e Francisco Ferreira, do mesmo curso. O professor ressaltou a importância da iniciação científica para estudantes de graduação porque “contribui de maneira muito significativa na formação do profissional da química e de outras áreas”. O comprometimento e o empenho dos três estudantes durante toda a execução do projeto foram muito elogiados.

A pesquisa consistiu na obtenção de um material adsorvente (carvão) a partir da carbonização controlada do endocarpo fibroso (caroço) do fruto da cajazeira (Spondias mombin L.). Posteriormente esse material adsorvente obtido foi testado para remoção de metal pesado (chumbo) de efluentes aquosos. Os resultados mostram que o resíduo fibroso do cajá apresenta ótimo potencial para remoção de chumbo, que é um metal tóxico bioacumulável, ou seja, que se acumula nos tecidos vivos de animais. Esse acúmulo pode acarretar uma série de problemas de saúde, incluindo alterações no sistema nervoso e câncer. “A pesquisa cumpre um importante papel social, agregando valor a um resíduo que é descartado na natureza e apresentando uma proposta para o
tratamento de efluentes contaminados com metais pesados”, destaca o orientador.

Para Hiago, independentemente de prêmio, o resultado com a pesquisa de obter utilidades, além da polpa, para o cajá, fruta abundante no sertão, foi recompensador de todo o esforço da equipe na pesquisa.

“Depois de exaustivos meses de pesquisa estávamos conseguindo obter resultados satisfatórios, trabalhamos de maneiras diferentes mudando vários parâmetros nas análises até descobrirmos o que realmente funcionava, foi uma alegria nesse dia no laboratório porque estávamos certos que conseguiríamos terminar a pesquisa e entregar conclusões satisfatórias. Então veio a pandemia e com ela o afastamento de todos nós, o projeto ficou parado a gente não tinha como se reunir pra fazer o restante das análises e finalizar a pesquisa, felizmente houve uma baixa de caso nas nossas respectivas cidades e conseguimos nos reunir algumas semanas trabalhando duas vezes mais por dia pra conseguir terminar no menor tempo possível, felizmente deu tudo certo” comentou Hiago.

Em Ciências da Vida, foi indicada a bolsista Clarisse Menezes de Oliveira, graduanda em Medicina Veterinária vinculada ao projeto “Desenvolvimento do aplicativo “Guia Parasitário – Cães e Gatos” como guia metodológico para técnicas de diagnóstico em parasitologia veterinária”, coordenado pelo docente Vinicius Longo Vilela, do Campus Sousa. A equipe contou ainda com as alunas Luana Carneiro de Sousa, graduanda em Medicina Veterinária no IFPB, e Larissa Claudino Ferreira, egressa do curso e atualmente mestranda em Ciência e Saúde Animal pela UFCG Patos. “Clarisse se mostrou muito interessada desde a concepção do projeto até a confecção das atividades, sempre muito proativa. Todas elas são alunas excelentes que a gente gosta de ter nos projetos, acompanhei desde a iniciação científica”, comentou o docente.

O aplicativo Guia Parasitário – Cães e Gatos foi criado para auxiliar estudantes e médicos veterinários na aprendizagem de forma dinâmica, com o objetivo de disponibilizar um material sobre as técnicas que são comumente utilizadas no laboratório de parasitologia veterinária para detectar e identificar parasitos em uma consulta de forma rápida, facilitando na execução das técnicas. O app foi disponibilizado na plataforma de downloads Android no Google Play Store, podendo ser instalado de forma gratuita. Pouco tempo após a disponibilização, já constavam mais de 100 downloads e avaliação de cinco estrelas, demonstrando satisfação por parte dos usuários. Após a divulgação, houve a procura de parcerias de outras instituições para o desenvolvimento de outros aplicativos voltados para a área.

“A minha experiência no projeto foi de grande aprendizado, pois procuro sempre desenvolver conhecimento, para trazer benefícios para mim e para o próximo. Esse aplicativo foi pensado através disso, ajudar os alunos que tinham algumas dúvidas ao chegar num laboratório de Parasitologia Veterinária”, comenta a aluna Clarisse. Em relação a indicação do prêmio, ela disse que ficou em choque “dentre milhares de projetos o meu teria sido escolhido, para mim isso foi muito gratificante”. Ela agradeceu ao orientador a oportunidade e a confiança de desenvolver o aplicativo, e a cada voluntário, que ajudou no desenvolvimento do app.

Em Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes, foi indicado o bolsista e estudante do Bacharelado em Administração, Caio Abner Brito, do projeto “Utilização de Jogo Interativo na Educação Empreendedora de alunos do Ensino Fundamental em Escolas Públicas”, do Campus João Pessoa, coordenado pela professora Maria de Fátima Silva Oliveira. A equipe tem os estudantes Bruno Vinicios e Pedro Rodrigues, também do curso de Administração de JP, e Bruna Medeiros, de Design Gráfico, do campus Cabedelo.

O estudante Caio comenta que a experiência foi gratificante, por atender a crianças do Ensino Fundamental II público, em que cerca de 90% desconheciam o tema. “Atrair a atenção deles foi uma experiência árdua, mas em conjunto com a equipe do projeto conseguimos desenvolver bem a perspectiva lúdica do jogo de tabuleiro, com temática de empreendedorismo, e aplicar durante a semana cultural da escola atendida, atraindo inclusive maior atenção que os demais jogos (de cunho esportivo)”. Sobre a indicação ao Prêmio, Caio disse que ficou grato pelo reconhecimento do IFPB e dos amigos
pesquisadores. “Esperamos que toda essa energia que movimentou o projeto possa atingir mais alunos que despertem a estima pela pesquisa e extensão, trazendo mais indicações e premiações ao IFPB, instituição que é muito querida por todos nós!”

Fátima relata a contribuição de toda a direção da Escola Municipal Izabel Maria das Neves no projeto. O Jogo de Tabuleiro tem todas as fases do empreendedorismo como processo e envolveu os alunos da escola municipal.

Segundo Fátima, após o jogo, a aprendizagem dos conceitos de empreendedorismo foi assimilada pelos alunos da escola fundamental. Ela solicitou uma patente do jogo e tem intenção de transformá-lo em um aplicativo, futuramente. Os estudantes do IFPB apresentaram resultados em eventos científicos no Instituto e a professora em congresso internacional virtual.

PB Agora

Notícias relacionadas

UFPB oferece 100 bolsas para interiorizar ações de extensão

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB), por meio da Pró-reitoria de Extensão (Proex), divulgou nesta sexta-feira (14) o edital do programa UFPB no seu município, com abertura de inscrições para seleção de…